Livro sobre desperdícios de competências de africanos na europa lançado em Luanda
Um livro, que retrata testemunhos de migrantes de 16 países, a maioria do continente africano e que trabalham na europa em ocupações que os próprios se negam, vai ser apresentado na Casa da Juventude em Viana, no dia 31 de Outubro de 2026, pelo angolano, José Fidel Samora, radicado em França, há mais de 20 anos.

Trata-se do livro “a voz dos que fazem o que ninguém quer fazer” de José Fidel Samora, radicado há cerca de 20 anos em França que recolheu depoimentos de 36 homens e mulheres saídos de vários países africanos, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Senegal, Mali, Argélia, Marrocos, Congo, Costa do Marfim, Nigéria e Tunísia que hoje trabalham em países como Portugal, França, Bélgica, Suíça, Itália e Alemanha.
Além de cidadãos saídos de África, JF Samora entrevistou também porugueses, brasileiros e afegãos também deixaram suas terras natais e desenvolvem trabalhos que os nacionais europeus se negam a fazer.
A lista de trabalhos que esses migrantes desenvolvem no continente europeu, relatado no livro, está a limpeza em escritórios, casas de banho de aeroporto, quartos de hotel, blocos operatórios, escolas e ruas. Também Cuidados de idosos em casa e em lares, e crianças de outras famílias. Estas actividades, de acordo com o autor, são desenvolvidas sobretudo por mulheres, ao passo que os homens estão principalmente na construção civil, na indústria e nos campos agrícolas bem como nos serviços de segurança e vigilância.
Um dado curioso é que entre os entrevistado há, segundo José Fidel Samora, pessoas com formação superior, mas que desenvolvem trabalhos precários, exemplicando os casos de uma professora que limpa escritórios, um gestor que lava pratos em restaurantes e hoteis, e um formado em Recursos Humanos que trabalha como vigilante de um supermercado durante a noite.
Para José Fudel Samora, o livro denomina este cenário como brain waste, o desperdício de competências.
“Os testemunhos foram recolhidos ao longo de mais de dez anos de trabalho na acção social. São conversas longas, sem gravador e muitas vezes no próprio local de trabalho”, detalhou, sublinhando que alguns nomes dos entrevistados foram alterados a pedido dos entrevistados.
Em certos capítulos há contrapontos sociológicos, e o livro termina com a secção Para Saber Mais, que reúne referências sobre o envelhecimento europeu e a falta de mão de obra.
Além desta obra, o autor lançou antes, o livro "Caminhos tenebrosos dos Imigrantes- reflexões as travessias humanas e os labirintos da esperança contemporânea", que retrata um olhar profundo sobre realidades vividas por muitos, mas conhecidas por poucos.






