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FRELIMO aposta na continuidade e confirma apoio a Chapo para as presidenciais de 2029

RedacçãoMaputo4 min de leitura3 comentários

FRELIMO aposta na continuidade e confirma apoio a Chapo para as presidenciais de 2029

A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder, anunciou o apoio à recandidatura de Daniel Chapo às eleições presidenciais de 2029. A decisão foi aprovada por aclamação pelo Comité Central, segundo o secretário-geral da formação política, Shaquil Aboobacar, que destacou os esforços do actual chefe de Estado para estabilizar o país e recuperar a confiança dos cidadãos e dos investidores.

A FRELIMO anunciou este sábado, 17 de Outubro, que Daniel Chapo será o candidato do partido às próximas eleições presidenciais moçambicanas, previstas para 2029. A decisão foi tomada numa reunião extraordinária do Comité Central, realizada em Chimoio, na província de Manica.

O secretário-geral do partido, Shaquil Aboobacar, afirmou, em conferência de imprensa em Maputo, que a escolha foi aprovada por aclamação. A decisão deverá ser formalizada no 13.º Congresso da FRELIMO, agendado para Julho de 2027, na cidade de Nampula.

A indicação representa um sinal de apoio interno à continuidade de Chapo na liderança política do país, numa altura em que o Governo procura consolidar a estabilidade institucional após a crise desencadeada pelas eleições gerais de 2024.

Segundo Shaquil Aboobacar, o apoio à recandidatura de Daniel Chapo resulta da avaliação que o partido faz do seu desempenho desde que assumiu a Presidência da República, em Janeiro de 2025.

O dirigente apontou como aspectos positivos a abertura de um processo de diálogo nacional inclusivo, os esforços para reduzir a tensão política e a recuperação da confiança nacional e internacional em Moçambique.

Aboobacar recordou que o país enfrentava um ambiente de desconfiança nas instituições públicas, associado, entre outros factores, à contestação dos resultados eleitorais, aos problemas relacionados com o pagamento de horas extraordinárias na função pública e às dificuldades na implementação da Tabela Salarial Única (TSU).

O secretário-geral destacou ainda a retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), em 2025, considerando-a um sinal positivo para a credibilidade financeira do país e para a atracção de investimentos.

Na perspectiva da direcção da FRELIMO, estes factores justificam a continuidade de Chapo à frente do partido e do Estado.

Daniel Chapo assumiu a Presidência da República a 15 de Janeiro de 2025, depois de ter sido declarado vencedor das eleições gerais de 2024. No mês seguinte, passou também a liderar a FRELIMO, sucedendo a Filipe Nyusi.

A transição ocorreu num contexto de forte contestação aos resultados eleitorais, com manifestações convocadas por apoiantes de Venâncio Mondlane, candidato que rejeitou os resultados oficiais.

Os protestos prolongaram-se durante vários meses e foram acompanhados por confrontos, destruição de bens e relatos de centenas de mortes, tornando-se uma das crises políticas mais graves da história recente do país.

Na sequência da contestação, foi criada a Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, destinada a promover conversações e reformas políticas e institucionais.

Entretanto, Venâncio Mondlane enfrenta um processo judicial relacionado com as manifestações pós-eleitorais. Segundo a informação divulgada pela Lusa, o julgamento está previsto para 17 de Novembro no Tribunal Supremo. As acusações incluem, entre outros crimes, incitação à desobediência colectiva e terrorismo, cabendo aos tribunais apreciar as provas e determinar eventuais responsabilidades.

Apesar do anúncio do Comité Central, a candidatura de Daniel Chapo deverá ser formalizada no congresso do partido, marcado para Julho de 2027.

Até às eleições de 2029, o desempenho do Governo, a evolução do diálogo nacional e a capacidade de responder às dificuldades económicas e sociais serão factores relevantes para o debate político moçambicano.

A decisão da FRELIMO antecipa, assim, a preparação do partido para o próximo ciclo eleitoral e confirma a intenção da actual liderança de manter Daniel Chapo como principal rosto da formação política na disputa pela Presidência da República.

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