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Macky Sall abandona corrida à liderança das Nações Unidas após votação desfavorável

Redacção3 min de leitura3 comentários

Macky Sall abandona corrida à liderança das Nações Unidas após votação desfavorável

O antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, retirou a sua candidatura ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), depois de uma votação informal no Conselho de Segurança ter evidenciado dificuldades para reunir apoio suficiente. O ex-chefe de Estado afirmou que pretende contribuir para a escolha de um candidato capaz de gerar consenso entre os Estados-membros.

Macky Sall anunciou a desistência da corrida à liderança das Nações Unidas um dia depois de uma nova ronda de consultas informais no Conselho de Segurança, na qual os candidatos enfrentaram dificuldades para obter apoio maioritário.

Numa declaração divulgada nas redes sociais, o antigo Presidente senegalês manifestou a intenção de contribuir para o aparecimento de uma candidatura de consenso, num processo marcado pela necessidade de conciliar posições entre as principais potências internacionais.

Na votação realizada na sexta-feira, os sete candidatos em disputa receberam, pelo menos, um voto desfavorável. Para avançar no processo de selecção, cada candidato precisa de obter o apoio de, pelo menos, nove dos 15 membros do Conselho de Segurança, sem receber o veto de qualquer um dos cinco membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Na primeira consulta informal, realizada em Julho, Sall tinha obtido seis votos favoráveis, sete desfavoráveis e duas abstenções, um resultado que já evidenciava dificuldades para a sua candidatura.

Com a saída de Macky Sall, a costarriquenha Rebecca Grynspan mantém-se entre os nomes em destaque na disputa pela sucessão do actual secretário-geral da ONU. Na votação referida, obteve sete votos favoráveis e cinco desfavoráveis, incluindo dois provenientes de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Apesar da posição relativa na consulta, o resultado não garante a sua eleição, uma vez que o processo exige a obtenção de apoio suficiente e a ausência de veto por parte dos cinco membros permanentes.

A candidatura de Sall tinha sido apresentada pelo Burundi, depois de o Senegal não ter apoiado inicialmente a sua nomeação. Em Julho, o actual Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, declarou apoio ao antigo chefe de Estado, após um encontro entre ambos.

A desistência de Macky Sall reduz a presença africana na disputa. Segundo a informação divulgada, Olara Otunnu, do Uganda, passa a ser o único candidato africano entre os concorrentes inicialmente apresentados.

A distribuição regional do cargo também integra o debate sobre a sucessão. Embora exista uma tradição de alternância geográfica na escolha de secretários-gerais da ONU, essa prática não constitui uma regra formal que determine automaticamente a região de origem do próximo titular.

A escolha do secretário-geral depende de uma recomendação do Conselho de Segurança e da posterior nomeação pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

As consultas informais realizadas até agora não são vinculativas e servem para avaliar o nível de apoio de cada candidato, bem como eventuais obstáculos à sua eleição.

Estão previstas novas rondas de consultas antes da votação formal. O resultado final dependerá das negociações diplomáticas e da capacidade dos candidatos para obterem o apoio necessário dos membros do Conselho de Segurança.

A saída de Macky Sall altera o equilíbrio da disputa e deixa em aberto a possibilidade de novas candidaturas ou de mudanças no apoio aos nomes que permanecem na corrida.

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