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Vítimas de conflitos políticos em Angola ganham memorial de homenagem

As vítimas de conflitos políticos registados Angola, entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002, estão homenageados no memorial Aliança eterna, inaugurado nesta quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, pelo Presidente da República, João Lourenço.

RedacçãoLuanda4 min de leitura3 comentários

Vítimas de conflitos políticos em Angola ganham memorial de homenagem

O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos em Angola, inaugurado pelo chefe de Estado João Lourenço, está situado na prestigiada zona da Nova Marginal e junto ao Memorial Dr. António Agostinho Neto.

O novo empreendimento simboliza um marco relevante no processo de reconciliação e preservação da memória nacional.

A cerimónia de inauguração do Memorial incluiu a transmissão de uma mensagem religiosa, uma intervenção do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, o descerramento da placa, corte da fita inaugural e deposição de uma coroa de flores, pelo Presidente João Lourenço.

O programa contemplou igualmente uma visita do Presidente da República às instalações, que integram o memorial, um espaço de memória e a Mulembeira da Reconciliação, três elementos que compõem a infra-estrutura.

A cerimónia incluiu ainda a exibição de um vídeo institucional que destacou o pedido de perdão do Presidente da República, João Lourenço, dirigido às vítimas dos conflitos políticos em Angola, proferido em 2021, no âmbito dos esforços de reconciliação nacional.

O vídeo retrata igualmente o processo de busca, localização e identificação dos restos mortais das vítimas, bem como a sua entrega às respectivas famílias, que aguardaram durante longos anos pela possibilidade de recuperar os seus entes queridos e lhes proporcionar um funeral condigno.

Com 35 metros de altura e nove pisos, o Memorial, denominado "Aliança Eterna", é constituído por dois blocos articulados entre si, cuja configuração evoca um abraço, símbolo de reconciliação e pedido de perdão entre os angolanos.

O complexo integra ainda um edifício técnico, uma loja de recordações, um espaço de acervo digital, uma sala de convenções e exposições, um parque de estacionamento com capacidade para 106 viaturas e uma praça destinada a visitas, com uma componente paisagística.

O complexo combina arte, engenharia e arquitectura, com inspiração na ancestralidade e nos elementos culturais das diferentes regiões do país.

A concepção incorporou referências as sete escolas culturais angolanas e as diversas etnias nacionais, numa perspectiva de reconhecimento do sofrimento causado pelos conflitos a todos os angolanos.

O mesmo é composto por duas torres, uma associada ao conflito, e outra à paz, ligadas por um anel superior que simboliza a reconciliação nacional.

Segundo a arquitecta Fineza Teta, autora do projecto, as duas torres são "abraçadas por um manto cultural", enquanto o anel representa a união entre o conflito e a paz.

Revelou que o anel superior foi concebido para proporcionar aos visitantes uma experiência emocional e sensorial relacionada com o sofrimento vivido pela população, durante os anos de guerra.

Fineza Teta esclareceu que o Hall de Memória é constituído por quatro estruturas em forma de arco, inspiradas no arco-íris, símbolo de bonança e reconciliação.

Os elementos representam igualmente quatro dimensões de poder envolvidas na vida social e política, nomeadamente família, cultura, religião e poder político.

O espaço alberga também esculturas e símbolos ligados à renovação nacional, entre os quais a figura da “Angola Renascente”, que representa uma mãe com os filhos voltados para o futuro e para o desenvolvimento do país.

Outro elemento de destaque é a “Mulembeira Petrificada”, rodeada por uma floresta branca, concebida para simbolizar a transmissão da memória histórica e dos ensinamentos das vítimas às gerações futuras.

A arquitecta salientou que o objectivo do memorial não é alimentar divisões ou ressentimentos, mas preservar a história para evitar a repetição dos erros do passado.

“A ideia não é levantar ânimos ou guerrilhas, mas permitir que conheçamos a nossa história, porque quem desconhece o passado corre o risco de repetir os mesmos erros”, referiu.

Localizado numa área adjacente ao Memorial António Agostinho Neto, o memorial pretende preservar a memória histórica dos conflitos e reforçar os valores da paz, unidade e reconciliação nacional.

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