"Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez pelo Brasil", diz Lula da Silva
O político do Partido dos Trabalhadores fez esta segunda-feira, o primeiro discurso à nação, depois de vencer Flávio Bolsonaro na histórica reviravolta deste domingo 25.

O recém-eleito presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira, que este seu quarto mandato vai ser histórico, tendo prometido fazer o melhor mandato que um presidente já fez no país.
Pela primeira vez nas presidenciais brasileiras, um candidato ganha a segunda volta após perder a primeira. Lula da Silva vai assumir quarto mandato e promete que será “o melhor mandato que um Presidente já fez na história deste país".
A completar 81 anos de idade nesta terça-feira, Lula da Silva também ficará na história por derrotar suas gerações de um clã político. Depois de ter impedido a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022 com 50,9% dos votos contra 49,1%, uma diferença de cerca de dois milhões de votos, derrotou agora Flávio Bolsonaro, o filho do ex-Presidente condenado por tentativa de golpe após perder essa eleição e que já contava com a amnistia prometida pelo filho para sair da prisão domiciliária.
Esta viragem histórica significou uma recuperação eleitoral significativa para Lula da Silva, aumentando quase sete pontos percentuais em relação ao resultado da primeira volta. Numa campanha polarizada como nunca, aos temas da defesa da continuidade das políticas sociais, a valorização do salário mínimo, os investimentos públicos e a atuação do Estado na promoção do desenvolvimento económico juntou-se a defesa da democracia e das instituições face à ameaça da extrema-direita golpista e à interferência do poder político e dos tecnologias-oligarcas dos EUA.
No seu discurso, Lula agradeceu ao povo brasileiro “a generosidade que têm comigo há muito tempo, e em particular à juventude brasileira que saiu à rua na segunda volta para assegurar a democracia”, destacando o facto de esta eleição ter tido o menor número de abstenções e votos nulos de sempre.
“Vencemos a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais. Vamos ter de regulá-las”, prometeu Lula, acrescentando que “o crime no mundo digital tem de ser tratado igual que na vida real”, mesmo que isso signifique enfrentar “as empresas monstruosas que ganham milhões e milhões, não pagam qualquer imposto neste país e tentam influenciar o resultado eleitoral”.
Numa noite para celebrar a “derrota do negacionismo e da mentira”, Lula não poupou o adversário desta eleição. “Já debati com muita gente, ms nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo neste país. Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto e com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma única célula de humanismo”, afirmou Lula sobre Flávio Bolsonaro.
O resultado eleitoral foi também para Lula “a demonstração que esse país não aceita ser quintal de ninguém”. Entre as lições que leva da campanha, Lula prometeu “mudar o jeito de governar esse país, fazer o povo participar mais nas nossas decisões” e garantiu que a comunicação digital vai ganhar espaços no governo, pois pretende “conversar muito com o povo brasileiro diretamente” a partir de agora.
“Tenho de governar para 215 milhões” de pessoas, prosseguiu o Presidente reeleito, respondendo às previsões sobre a dificuldade de alianças políticas no próximo mandato. Se o Congresso ficou mais conservador com as eleições deste mês, “foi esse o Congresso que o povo escolheu e é com ele que vou governar”, afirmou Lula da Silva, concluindo com o compromisso que "vou fazer o melhor mandato que um Presidente já fez na história deste país".






