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Angola inicia formação inédita em neurofisiologia clínica para reforçar o diagnóstico de doenças neurológicas

Vinte profissionais de saúde participam no primeiro ciclo de formação técnica especializada do género no país, promovido pelo Ministério da Saúde e financiado pelo Banco Mundial.

RedacçãoLuanda5 min de leitura3 comentários

Angola inicia formação inédita em neurofisiologia clínica para reforçar o diagnóstico de doenças neurológicas

Angola iniciou, na Segunda-feira, 26 de Outubro, uma formação técnica especializada em Neurofisiologia Clínica, destinada a desenvolver competências para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com patologias neurológicas.

A formação decorre no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, em Luanda, e reúne 20 profissionais provenientes de diferentes unidades sanitárias do país.

No primeiro dia, as actividades arrancaram com uma componente teórica e prática orientada pela equipa técnica angolana. Hoje, terça-feira, 27 de Outubro, os trabalhos prosseguiram com a participação dos especialistas brasileiros Dr. Bruno Gumiero, neurologista, e *Dr. Fernando Prado da Silva, especialista em monitorização neurofisiológica intra-operatória, que se juntaram à equipa formadora para reforçar a componente científica e técnica.

Promovida pelo Ministério da Saúde, através da Unidade de Implementação do Projecto (UIP), no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), a iniciativa é financiada pelo Banco Mundial e integra os esforços de desenvolvimento de competências especializadas no Sistema Nacional de Saúde.

A formação técnica terá a duração de 12 meses.

Em paralelo, decorre um programa de subespecialização em Neurofisiologia Clínica, com duração prevista de 18 meses, destinado a médicos especialistas em Neurologia e que contempla uma componente formativa em Angola e outra na República Federativa do Brasil.

A iniciativa enquadra-se na visão da Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, de promover a especialização dos profissionais e ampliar a capacidade de resposta dos hospitais de referência do país.

O coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Dr. Job Monteiro, destacou, no encerramento das actividades, a importância do envolvimento dos participantes, da avaliação da formação e da identificação de aspectos que possam ser melhorados ao longo da sua implementação.

O responsável abordou igualmente a necessidade de os profissionais compreenderem as exigências de uma especialização desta natureza e ponderarem o compromisso necessário para a conclusão do percurso formativo, tendo em conta as responsabilidades profissionais e pessoais de cada um.

A iniciativa pretende não apenas capacitar os profissionais seleccionados, mas também criar condições para a transmissão dos conhecimentos adquiridos e o desenvolvimento progressivo de novas competências nas instituições nacionais de saúde.

O programa inclui conteúdos de electroencefalografia, electroneuromiografia, polissonografia, potenciais evocados auditivos e visuais e monitorização neurofisiológica intra-operatória.

Estas técnicas permitem estudar a actividade eléctrica cerebral, avaliar o funcionamento dos nervos periféricos, investigar alterações relacionadas com o sono e analisar determinadas funções do sistema nervoso. A monitorização neurofisiológica intra-operatória permite, por sua vez, acompanhar funções neurológicas durante procedimentos cirúrgicos seleccionados, contribuindo para a avaliação de riscos e para a tomada de decisões pela equipa clínica.

A coordenação da componente prática está a cargo do neurologista Dr. Bétuel Helena, que reconheceu os desafios inerentes à implementação da formação, mas destacou o interesse demonstrado pelos participantes.

“Não será fácil, mas vamos tentar organizar-nos para atingir o nosso objectivo”, afirmou, acrescentando que a interacção com os formandos tem sido positiva e que a equipa pretende criar as condições necessárias para que estes concluam a formação com o melhor aproveitamento possível.

O responsável agradeceu igualmente ao Ministério da Saúde e à Unidade de Implementação do Projecto pelo convite e pelo apoio prestado à iniciativa.

A equipa de formadores integra ainda a especialista angolana Dra. Ivuadi Gonçalves, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, com mais de 20 anos de experiência em electroencefalografia.

A componente científica será reforçada no dia 29 de Outubro com a participação do Professor Doutor Fernando Cendes, docente da Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, que se juntará aos especialistas angolanos Professor Doutor Miguel Bettencourt e Dr. João Adilson.

Um dos constrangimentos identificados nesta fase diz respeito à indisponibilidade do equipamento específico necessário para a realização integral de determinados procedimentos práticos de monitorização neurofisiológica intra-operatória. A situação evidencia a importância de articular a formação especializada com a disponibilidade dos meios técnicos e materiais indispensáveis à aplicação dos conhecimentos.

Entre os participantes, as expectativas centram-se na aquisição de competências que permitam aperfeiçoar a avaliação clínica, o acompanhamento dos pacientes e a prevenção de sequelas associadas a doenças neurológicas.

Ana Bela Córi, fisioterapeuta do Hospital Geral Reverendo Guilherme Pereira Inglês, considerou a formação uma oportunidade para aperfeiçoar a prática profissional e contribuir para a reabilitação funcional dos pacientes.

Eraci Manuela Gaspar, enfermeira do Hospital Geral de Cabinda, salientou a importância da articulação entre enfermeiros, médicos, anestesistas e neurologistas na resposta às situações neurológicas.

“Comprometemo-nos a oferecer respostas rápidas naquilo que são as urgências neurológicas e também na prevenção de sequelas”, afirmou.

Por sua vez, Daniria Solange dos Santos Silva, cardiopneumologista do Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, considerou a capacitação uma mais-valia para a valorização profissional, destacando a oportunidade de adquirir competências diferenciadas.

A fisioterapeuta Isilda Adelaide Savite, do Hospital Geral de Cabinda, realçou a importância dos conhecimentos a adquirir para melhorar a avaliação e o acompanhamento de pacientes submetidos a cirurgias complexas, nomeadamente ao cérebro e à coluna vertebral.

A formação em Neurofisiologia Clínica integra o Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial, que prevê especializar e capacitar cerca de 38 mil profissionais de saúde até 2028.

O programa abrange médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, bem como profissionais dos regimes geral, administrativo e de apoio hospitalar.

A execução é acompanhada por uma equipa multidisciplinar responsável pelas componentes técnicas, administrativas, financeiras e operacionais do projecto, incluindo formação, aquisições, monitoria e avaliação, comunicação, auditoria e gestão de dados.

O arranque desta formação representa um passo no desenvolvimento de competências especializadas em Neurofisiologia Clínica em Angola. A sua contribuição para a melhoria dos cuidados de saúde dependerá da continuidade da capacitação, da disponibilidade de equipamentos adequados e da integração efectiva dos conhecimentos nos serviços hospitalares, com potencial para reforçar o diagnóstico e o acompanhamento de pacientes com doenças neurológicas.

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