AIPEX aponta privatizações como sinal de abertura de Angola ao investimento privado
Agência destaca 380 projectos avaliados em 14,9 mil milhões de dólares entre 2023 e 2025 e identifica energia, recursos naturais e segurança jurídica como factores decisivos para atrair investidores.

O presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo das Chagas Rangel, considera que o programa de privatizações em curso no país constitui um sinal de abertura ao investimento privado e de redução da presença do Estado enquanto operador económico.
A posição foi apresentada esta terça-feira, 27 de Outubro, durante o painel “Investir em Angola”, integrado no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, realizado na ilha do Sal, em Cabo Verde.
Segundo o responsável, o significado das privatizações vai além das receitas obtidas pelo Estado, representando também uma oportunidade para ampliar a participação dos empresários na actividade económica e estimular o desenvolvimento do sector privado.
“O mais importante desta campanha de privatização não são os valores arrecadados, mas é um sinal claro para o mercado, para os empresários, de que o Estado está a retirar-se enquanto operador e está a deixar o mercado ser operado pelo sector privado”, afirmou.
No balanço dos investimentos registados entre 2023 e 2025, Arlindo das Chagas Rangel referiu cerca de 380 projectos, com um valor global estimado em 14,9 mil milhões de dólares.
O responsável destacou o interesse de investidores estrangeiros, sobretudo asiáticos, com referências à China, Singapura e Dubai, além da participação de Portugal entre os mercados ligados ao espaço lusófono.
Para a AIPEX, esta diversidade de origens demonstra a importância de reforçar as parcerias internacionais e de posicionar Angola como destino de investimento num contexto de transformação dos fluxos globais de capitais.
A disponibilidade de energia eléctrica, as terras aráveis e a riqueza em recursos naturais foram apontadas como factores que podem favorecer a instalação de empresas e o desenvolvimento industrial.
O presidente da AIPEX destacou ainda o potencial de expansão da produção eléctrica, nomeadamente através de novos projectos hidroeléctricos, defendendo que a disponibilidade de energia a preços competitivos pode contribuir para reduzir os custos operacionais das empresas.
Estas condições poderão criar oportunidades em diferentes sectores, incluindo a indústria transformadora, a agricultura e as actividades orientadas para a exportação.
Apesar das oportunidades identificadas, Arlindo das Chagas Rangel reconheceu a necessidade de melhorar a previsibilidade do ambiente de negócios, acelerar os processos judiciais e reforçar a segurança jurídica.
Na sua perspectiva, a transparência, a aplicação efectiva das leis e a existência de mecanismos eficazes de resolução de conflitos são fundamentais para aumentar a confiança dos investidores e reduzir os riscos dos projectos empresariais.
A intervenção no fórum centrou-se, assim, na necessidade de transformar as potencialidades económicas de Angola em investimentos concretos, capazes de contribuir para a diversificação da economia, a criação de emprego e o crescimento das exportações.
O Fórum de Investimento da África Lusófona 2026 reúne representantes institucionais, empresários e investidores para debater oportunidades de negócio e promover parcerias entre países de língua portuguesa.






