Seguro critica imagens de cargas policiais contra manifestantes em Lisboa e no Porto
Presidente da República considera que as imagens não são normais numa democracia consolidada e exige esclarecimentos sobre a actuação das autoridades.

O Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, manifestou, esta terça-feira, desagrado perante as imagens da intervenção policial contra manifestantes acampados em Lisboa e no Porto, defendendo o diálogo como via para resolver conflitos e apelando ao respeito pelos direitos fundamentais e pelo Estado de direito democrático.
“Não gostei do que vi nas imagens recentes”, afirmou o chefe de Estado aos jornalistas, referindo-se aos incidentes registados na madrugada de domingo, na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto.
António José Seguro revelou que tem acompanhado a situação desde as primeiras horas de domingo, recolhendo informações e solicitando esclarecimentos às entidades competentes. Acrescentou ainda que o assunto foi abordado numa reunião realizada na segunda-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O Presidente considerou que as imagens divulgadas “não são normais para uma democracia consolidada”, reiterando que o diálogo deve prevalecer sobre a violência na resolução de problemas sociais.
Questionado sobre a intervenção das forças de segurança, António José Seguro salientou que estão em curso inquéritos para apurar os factos e determinar se houve alguma violação do Estado de direito.
O chefe de Estado defendeu que as investigações devem decorrer com respeito pelas instituições, sublinhando que compete às autoridades responsáveis esclarecer as circunstâncias dos incidentes antes de se formularem conclusões definitivas.
Seguro reafirmou igualmente o seu compromisso com a defesa da liberdade de manifestação e o cumprimento da Constituição da República Portuguesa, lembrando que os direitos dos cidadãos e o respeito pela lei devem coexistir.
As intervenções policiais ocorreram durante operações de desmobilização de acampamentos de pessoas que se manifestavam pelo direito à habitação, instalados nas duas praças.
A operação, realizada simultaneamente em Lisboa e no Porto, envolveu elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e ficou marcada por confrontos e registo de feridos, segundo as informações divulgadas pela comunicação social.
A permanência das tendas nos espaços públicos tem estado no centro da divergência entre as autoridades e os manifestantes, que reivindicam respostas para as dificuldades de acesso à habitação.
Perante este cenário, António José Seguro voltou a defender o diálogo entre o Governo e os partidos políticos, considerando que a resolução da crise habitacional exige decisões de políticas públicas e entendimentos institucionais.
Com Lusa






