Bolsas sob pressão com inflação nos EUA, subida do petróleo e incerteza geopolítica

Os mercados financeiros internacionais enfrentam uma sessão de elevada atenção esta quinta-feira, 15 de Outubro, com os investidores a acompanharem os novos indicadores económicos dos Estados Unidos, os resultados empresariais e a escalada das tensões geopolíticas. A inflação acima das expectativas, a subida das taxas de rendibilidade da dívida norte-americana e os riscos no Médio Oriente aumentam a incerteza quanto à evolução das bolsas e às próximas decisões da Reserva Federal.
As principais praças financeiras entram na sessão desta quinta-feira condicionadas pelos dados recentes da inflação norte-americana, que reacenderam as dúvidas sobre a possibilidade de a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) aliviar a política monetária nos próximos meses.
Na sessão anterior, Wall Street registou perdas, com destaque para o sector tecnológico. O Nasdaq recuou 1,88%, para 26.692,87 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 1,11%, fixando-se nos 7.718,94 pontos. O Dow Jones apresentou uma descida mais moderada, de 0,09%, para 51.621,48 pontos.
A reacção dos investidores surgiu após a divulgação de dados que apontam para uma inflação persistente na maior economia mundial.
O índice de preços no consumidor dos Estados Unidos aumentou 3,7% em termos homólogos em Setembro, acima dos 3,6% antecipados pelos analistas. Já a inflação subjacente, que exclui os preços dos alimentos e da energia, registou uma subida de 2,6%, superando igualmente a previsão de 2,5%.
Os números reforçaram as preocupações de que a descida da inflação possa ser mais lenta do que o esperado, limitando a margem de manobra da Fed para reduzir as taxas de juro.
Neste contexto, a taxa de rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a dois anos subiu para 4,81%, reflectindo a revisão das expectativas dos investidores quanto à política monetária.
A evolução dos juros continuará a ser determinante para os mercados accionistas, uma vez que taxas elevadas podem aumentar os custos de financiamento das empresas e tornar os investimentos de menor risco relativamente mais atractivos.
Nas bolsas europeias, o índice Stoxx 600 tinha registado uma valorização de 0,43% na sessão anterior, num ambiente inicialmente favorecido pela descida dos preços do petróleo e das taxas de rendibilidade da dívida.
A evolução desta quinta-feira dependerá, em parte, da reacção dos investidores aos dados norte-americanos e da divulgação de novos indicadores económicos.
Entre os números previstos estão os dados da produção industrial da zona euro relativos a Agosto, bem como as vendas a retalho e os preços na produção dos Estados Unidos, os pedidos semanais de subsídio de desemprego e os indicadores de actividade industrial das regiões de Nova Iorque e Filadélfia.
Estes indicadores poderão fornecer novas pistas sobre a resistência do consumo, a evolução dos custos suportados pelas empresas e o estado geral da economia norte-americana.
Uma actividade económica robusta, acompanhada por inflação persistente, poderá reforçar a expectativa de manutenção de juros elevados. Em contrapartida, sinais de abrandamento da actividade e moderação dos preços poderão alterar as perspectivas para a política monetária.
A temporada de apresentação de resultados do terceiro trimestre prossegue nos Estados Unidos, com os investidores a analisarem as contas de instituições financeiras e de empresas de outros sectores.
Entre as entidades em destaque encontram-se a Charles Schwab, a Interactive Brokers e a Prologis.
Os resultados deverão ser avaliados em função da evolução das receitas, da qualidade do crédito, da actividade de negociação e das perspectivas apresentadas pelas administrações para os próximos meses.
O desempenho recente dos bancos norte-americanos tem sido desigual, com algumas instituições a apresentarem resultados abaixo das expectativas e outras a beneficiarem de uma actividade mais forte nos mercados financeiros.
A capacidade das empresas para manterem os lucros num ambiente de juros elevados e custos crescentes será um dos factores observados pelos investidores.
O mercado petrolífero continua igualmente sob vigilância. De acordo com os dados citados na informação de mercado, o Brent, referência internacional para o petróleo, atingiu 106,06 dólares por barril na quarta-feira, num contexto de tensões no Médio Oriente e de ataques a navios no estreito de Ormuz.
A importância estratégica desta passagem marítima para o transporte de petróleo e de outros produtos energéticos torna qualquer perturbação um potencial factor de instabilidade para o abastecimento mundial.
Uma subida prolongada dos preços da energia pode pressionar os custos de transporte, produção e consumo, dificultando o combate à inflação e condicionando o crescimento económico.
O impacto sobre as empresas não é uniforme: as petrolíferas podem beneficiar de preços mais elevados, enquanto sectores dependentes de combustíveis e de outros custos energéticos podem enfrentar margens mais reduzidas.
No plano geopolítico, as relações entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, continuam a merecer atenção, num contexto de divergências sobre a realização de eleições na Ucrânia.
Segundo declarações de Zelensky divulgadas pelo apresentador britânico Piers Morgan na rede social X, o líder ucraniano rejeitou a possibilidade de abandonar o cargo, afirmando que essa responsabilidade lhe cabe enquanto Presidente.
A discussão ocorre depois de Trump ter defendido, a 10 de Outubro, que a Ucrânia deveria realizar eleições presidenciais. O mandato presidencial de Zelensky terminou formalmente em Maio de 2024, mas o país não realizou eleições regulares, alegando que a aplicação da lei marcial impede a organização normal do processo eleitoral.
Questionado sobre a possibilidade de realizar eleições nas actuais circunstâncias, Zelensky voltou a rejeitar essa hipótese.
A divergência política acrescenta um elemento de incerteza à evolução da guerra e às relações entre Washington e Kiev. Para os mercados, os desenvolvimentos diplomáticos e militares poderão influenciar os preços da energia, a procura por activos considerados seguros e as perspectivas de crescimento económico.
A sessão desta quinta-feira reúne, assim, vários factores capazes de influenciar o comportamento dos mercados: inflação norte-americana acima das previsões, expectativas quanto às taxas de juro, resultados empresariais e tensões internacionais.
A evolução do petróleo e dos indicadores económicos poderá determinar a intensidade das oscilações nas bolsas e nos mercados obrigacionistas. Ao mesmo tempo, a divulgação de resultados empresariais poderá ajudar a perceber se as empresas conseguem preservar a rentabilidade num ambiente económico mais exigente.
Num cenário marcado por incerteza monetária e geopolítica, os investidores deverão continuar atentos aos dados divulgados e às decisões dos bancos centrais, que permanecem centrais para as perspectivas dos mercados financeiros internacionais.






