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Petróleo ultrapassa 112 dólares e atinge máximo de cinco meses após ataques dos Houthis

Escalada das tensões no Médio Oriente volta a preocupar os mercados, apesar da recuperação das exportações petrolíferas da região para níveis próximos dos registados antes da guerra no Irão.

Redacção3 min de leitura3 comentários

Petróleo ultrapassa 112 dólares e atinge máximo de cinco meses após ataques dos Houthis

O preço do petróleo registou uma subida superior a 3% esta quinta-feira, 22 de Outubro, levando o barril de Brent a ultrapassar os 112 dólares e a atingir o nível mais elevado dos últimos cinco meses, num contexto de agravamento das tensões no Médio Oriente.

A valorização do crude está associada às preocupações dos investidores com os ataques dos rebeldes Houthis à Arábia Saudita e os possíveis efeitos sobre a segurança das infra-estruturas energéticas e das principais rotas internacionais de transporte marítimo.

O Brent aproximou-se, assim, do seu fecho diário mais elevado desde 18 de Maio, registando a terceira sessão de valorização ao longo da semana.

Arábia Saudita reforça medidas de segurança

A escalada da tensão levou a petrolífera estatal saudita Saudi Aramco a ordenar a evacuação da sua sede em Dhahran, na costa do Golfo Pérsico, segundo a informação divulgada pelo Jornal Económico.

O agravamento das hostilidades entre os Houthis e a coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoia o Governo internacionalmente reconhecido do Iémen, aumenta a apreensão quanto à continuidade dos fornecimentos energéticos.

O grupo rebelde, apoiado pelo Irão, tem também atacado a zona do estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem estratégica para o comércio marítimo entre a Europa e a Ásia através do mar Vermelho e do canal do Suez.

Qualquer perturbação prolongada nesta rota poderá obrigar os navios a procurar trajectos alternativos, aumentando os custos de transporte, os prazos de entrega e a pressão sobre os mercados internacionais.

Apesar das preocupações geopolíticas, as exportações de petróleo do Médio Oriente terão recuperado para níveis próximos dos anteriores à guerra no Irão.

Analistas do Morgan Stanley estimaram que os envios de petróleo da região tenham atingido 17 milhões de barris por dia na semana anterior, aproximando-se da média de 18 milhões de barris diários registada nos 12 meses anteriores ao conflito.

Ainda assim, a evolução dos preços permanece condicionada pelas incertezas em torno da segurança regional e da continuidade dos fluxos de abastecimento.

Tamas Varga, analista da PVM, citado pela Reuters, considerou que a ausência de uma redução das hostilidades antes das eleições intercalares norte-americanas poderá contribuir para manter os preços do petróleo em níveis elevados.

A situação geopolítica continua igualmente marcada pela guerra na Ucrânia. Segundo a informação divulgada, as forças russas atacaram Kiev com centenas de drones.

Moscovo manifestou disponibilidade para retomar as negociações com Kiev em Novembro, depois de uma reunião entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado norte-americano Steve Witkoff, em São Petersburgo.

A Rússia foi o terceiro maior produtor mundial de petróleo em 2025, atrás dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. O seu crude continua sujeito a sanções internacionais, cuja eventual alteração poderá depender da evolução das negociações e de um possível acordo de cessar-fogo.

O comportamento do petróleo nas próximas sessões dependerá, entre outros factores, da evolução dos ataques no Médio Oriente, da segurança das rotas marítimas, dos níveis de exportação e das perspectivas de resolução dos conflitos internacionais.

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