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Manifestantes pelo direito à habitação decidem pernoitar na praça D. João I, no Porto

RedacçãoPorto3 min de leitura3 comentários

Manifestantes pelo direito à habitação decidem pernoitar na praça D. João I, no Porto

Os manifestantes pelo direito à habitação decidiram permanecer e passar mais uma noite ao relento na Praça D. João I, no Porto, desta vez sem montar tendas. A decisão foi tomada em assembleia popular, após uma intervenção policial durante a madrugada que, segundo a organização do protesto, provocou 39 feridos, dois dos quais em estado grave.

Os participantes no protesto pelo direito à habitação, concentrados na Praça D. João I, no Porto, decidiram manter a mobilização e pernoitar no local, apesar da retirada das tendas e dos confrontos registados durante a madrugada.

Segundo João, um dos manifestantes ligado à organização, a assembleia popular deliberou permanecer na praça por mais uma noite, sem instalar tendas no chão. O responsável apelou ainda à participação dos presentes na manifestação convocada pela CGTP para sábado, com o objectivo de reforçar a mobilização em defesa do direito à habitação.

O movimento pretende igualmente garantir a permanência dos participantes no local, tendo apelado à união dos manifestantes perante a possibilidade de novas intervenções policiais.

A organização anunciou também uma nova ocupação da praça para sábado, durante todo o dia, com actividades e iniciativas de protesto, que, segundo os organizadores, já terá autorização da Câmara Municipal do Porto.

A concentração desta quinta-feira reuniu cerca de 2.500 pessoas, de acordo com os números divulgados no âmbito do protesto, depois de uma madrugada marcada por uma intervenção policial. A organização contabilizou 39 feridos entre os manifestantes, incluindo dois em estado grave, enquanto a Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou que um agente ficou ferido.

O movimento contestou a actuação das autoridades, considerando a força utilizada desproporcional, e exigiu a responsabilização pelos incidentes. Por sua vez, a PSP justificou a intervenção com comportamentos de resistência por parte de alguns participantes. O presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que a polícia se viu forçada a actuar, lamentando o sucedido.

Entre as principais reivindicações do movimento estão a alteração da legislação sobre rendas, o fim dos despejos, a limitação da aquisição de imóveis por fundos de investimento, o reforço da habitação pública, a recuperação de edifícios devolutos para fins habitacionais e a definição de limites às rendas.

A mobilização no Porto surge depois de a Polícia Municipal ter retirado, na segunda-feira, cerca de 50 tendas instaladas na praça, alegando ocupação indevida do espaço público. Desde então, os manifestantes mantêm o protesto, mesmo sem condições de acampamento.

O movimento pretende alargar a mobilização a outras cidades portuguesas, estando também prevista uma iniciativa em Lisboa para sábado.

Lusa

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