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FMI projecta crescimento de 4,5% para África em 2026 e alerta para redução da ajuda externa

Fundo Monetário Internacional prevê aceleração económica para 5% em 2027, mas adverte que a diminuição do financiamento internacional pode comprometer os serviços sociais e aumentar a vulnerabilidade dos países africanos.

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FMI projecta crescimento de 4,5% para África em 2026 e alerta para redução da ajuda externa

A economia africana deverá registar um crescimento de 4,5% em 2026, com uma aceleração prevista para 5% no ano seguinte. Apesar das perspectivas positivas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que a redução da ajuda externa poderá limitar a capacidade dos governos para responder a crises e financiar programas essenciais ao desenvolvimento.

As projecções foram divulgadas esta quinta-feira, 15 de Outubro, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Banguecoque, na Tailândia, segundo informações publicadas pelo jornal moçambicano O País.

De acordo com Zeine Zeidane, responsável pelo Departamento Africano do FMI, a assistência externa ao desenvolvimento destinada ao continente sofreu uma redução significativa em 2025, devendo diminuir mais 12% em 2026.

A contracção dos recursos provenientes dos parceiros internacionais constitui um desafio para os países que dependem desse financiamento para sustentar projectos de desenvolvimento, prestar serviços de saúde e educação e responder a emergências humanitárias.

Apesar das dificuldades, o FMI considera que as economias africanas têm demonstrado capacidade de resistência perante as pressões provocadas pela crise energética associada ao conflito no Médio Oriente.

A revisão em alta das previsões para 2026 reflecte o desempenho económico de vários países e os ajustamentos adoptados para enfrentar um contexto internacional instável. Contudo, a instituição alerta que o crescimento previsto não significa que as fragilidades estruturais do continente estejam ultrapassadas.

Entre os riscos identificados estão novas interrupções no fornecimento de energia, o agravamento das condições de financiamento nos mercados internacionais e a ocorrência de fenómenos climáticos extremos, incluindo um episódio intenso de El Niño.

Os conflitos armados e a insegurança em determinadas regiões constituem igualmente factores de pressão sobre a produção, o comércio e a disponibilidade de alimentos.

A eventual subida dos preços dos combustíveis, fertilizantes e transportes poderá aumentar os custos das empresas e encarecer os produtos alimentares, afectando sobretudo as famílias com menores rendimentos.

A redução da ajuda internacional poderá obrigar vários governos africanos a rever as prioridades orçamentais, numa altura em que enfrentam níveis elevados de endividamento, custos de financiamento significativos e necessidades sociais crescentes.

Em países dependentes de recursos externos, a diminuição dos fundos disponíveis pode comprometer a continuidade de programas destinados à saúde, educação, assistência humanitária e construção de infra-estruturas.

Perante este cenário, o FMI recomenda o reforço da mobilização de receitas internas, uma gestão mais eficiente da despesa pública e a diversificação das fontes de financiamento.

A instituição considera também importante estimular o investimento privado, promover a transformação local dos recursos naturais e criar empregos, de forma a reduzir a dependência de capitais externos e tornar o crescimento económico mais sustentável.

As projecções para 2026 e 2027 apontam, assim, para uma perspectiva de expansão económica acompanhada de riscos que exigem maior capacidade de resposta dos Estados africanos.

Em Angola, a evolução do mercado de trabalho também apresenta sinais de melhoria, embora persistam dificuldades significativas, sobretudo entre os jovens.

Segundo dados apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda, a taxa de desemprego passou de 31,5% em 2024 para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais.

Apesar desta descida, a taxa de desemprego juvenil permanece elevada, atingindo 40,7%, de acordo com os números citados no pronunciamento presidencial.

O mercado de trabalho angolano continua igualmente condicionado pelas desigualdades entre homens e mulheres e pelo peso da actividade informal, factores que colocam desafios à criação de emprego estável e à melhoria dos rendimentos das famílias.

A evolução dos indicadores levanta, por isso, questões sobre a qualidade dos postos de trabalho criados, a capacidade de absorção dos jovens pelo mercado formal e a sustentabilidade da melhoria das condições económicas.

Num contexto continental marcado pela redução da ajuda externa, o reforço da produção nacional, a diversificação económica e a criação de oportunidades de emprego assumem particular importância para Angola e para os restantes países africanos.

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