João Lourenço destaca crescimento económico, investimento social e reconhece desafios que Angola ainda enfrenta

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou esta quinta-feira, 15 de Outubro, que Angola está a consolidar a recuperação económica, com crescimento do Produto Interno Bruto, redução da inflação e expansão dos serviços públicos, mas reconheceu que persistem dificuldades sociais e estruturais que exigem respostas do Executivo.
Na sua Mensagem sobre o Estado da Nação, apresentada na Assembleia Nacional, em Luanda, o Chefe de Estado fez um balanço das principais medidas adoptadas desde 2017, destacando as reformas económicas, a reorganização das finanças públicas, o combate à corrupção e a aposta na diversificação da economia, com o objectivo de reduzir a dependência do petróleo.
Segundo os dados apresentados por João Lourenço, a economia angolana cresceu 3% em 2025, enquanto, no primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto registou uma expansão de 5,3%, impulsionada sobretudo pelo sector não petrolífero, que avançou 6,2%.
O Presidente referiu igualmente que a inflação passou de 27,5% em 2024 para 10,8% em Junho de 2026, enquanto a taxa de desemprego recuou de 31,5% para 21,3% no primeiro trimestre deste ano. A dívida pública, de acordo com a mensagem presidencial, diminuiu de 115,9% do PIB, em 2020, para 51,2% em 2026.
Na área da saúde, João Lourenço destacou a construção de 736 unidades sanitárias desde 2017 até ao primeiro trimestre de 2026, elevando a rede nacional de 2.612 para 3.348 unidades. O Presidente anunciou ainda o reforço dos recursos humanos do sector, com a previsão de integração de seis mil novos profissionais durante o presente ano.
No sector da educação, o Chefe de Estado informou que o sistema de ensino conta com mais de 9,1 milhões de alunos matriculados no ano lectivo 2026/2027, apoiados por 252.419 professores e distribuídos por 141.678 salas de aula. Apesar da expansão da rede escolar, reconheceu que ainda existe um número considerável de crianças e jovens fora do sistema de ensino, além de um défice de professores.
A agricultura, as pescas e a indústria também estiveram entre os sectores destacados. O Presidente defendeu o aumento da produção nacional, a redução das importações, o fortalecimento da segurança alimentar e a criação de empregos através da transformação industrial e da valorização dos recursos do país.
No domínio social, João Lourenço sublinhou a importância da protecção da criança, do empoderamento das mulheres e do apoio às famílias vulneráveis. Defendeu igualmente o reforço das políticas de protecção social e anunciou a intenção de submeter à Assembleia Nacional uma proposta de revisão do Código Penal para agravar as penas aplicáveis aos crimes contra menores.
O discurso abordou ainda a reconciliação nacional, o combate à corrupção e à impunidade, a modernização das instituições e o reforço da segurança. O Presidente considerou que a estabilidade política e a confiança nas instituições são condições essenciais para o desenvolvimento económico e social.
Apesar de apresentar os resultados alcançados como sinais de progresso, João Lourenço reconheceu que muitos angolanos continuam a enfrentar dificuldades e que subsistem insuficiências nos serviços públicos.
No encerramento da mensagem, o Presidente apontou a protecção e educação das crianças, a formação académica e profissional dos jovens e o aumento da oferta de emprego para os angolanos como as principais prioridades para o presente e o futuro do país.
Nota editorial para o DI: Os indicadores e números apresentados nesta notícia foram retirados da mensagem presidencial. Para uma publicação de balanço independente, é aconselhável confrontá-los com dados de fontes estatísticas e instituições competentes.






