Abuso sexual de menores preocupa autoridades angolanas com 645 casos registados em seis meses

Angola registou 9.072 casos de violência contra crianças entre janeiro e junho de 2026, dos quais 645 estão relacionados com violência sexual. Autoridades defendem uma resposta conjunta entre Estado, famílias, igrejas e comunidades.
As autoridades angolanas manifestaram preocupação com o número de casos de violência sexual contra crianças registados no país. Entre janeiro e junho de 2026, foram contabilizadas 645 denúncias de abuso sexual de menores, numa média de quase quatro casos por dia.
Os dados foram apresentados esta segunda-feira, em Luanda, durante o Simpósio sobre Prevenção e Combate ao Abuso Sexual de Menores, promovido pela Ordem dos Pastores Evangélicos de Angola (OPEA), em parceria com o Instituto Nacional da Criança (INAC).
Segundo o diretor-geral do INAC, Paulo Kalesi, as 645 ocorrências de violência sexual fazem parte de um total de 9.072 casos de violência contra crianças registados durante os primeiros seis meses do ano.
Do total, 2.415 casos correspondem a violência física e 1.010 a violência psicológica, além de outras formas de violência contra menores.
Paulo Kalesi revelou ainda que 15% das denúncias de abuso sexual apresentadas no período terão como alegados autores pastores ou outros líderes religiosos, alguns dos quais, segundo o responsável, encontram-se detidos.
O diretor-geral do INAC chamou particularmente a atenção para situações ocorridas em espaços de culto e apelou às instituições religiosas para que revejam determinadas práticas e contextos considerados de risco para as crianças.
Entre os espaços mencionados estão locais utilizados para vigílias e outras atividades religiosas, onde, segundo o responsável, também têm sido recebidas denúncias de abusos.
Na abertura do encontro, a secretária de Estado para a Ação Social, Dina Emiliana Mayimona, classificou o abuso sexual de crianças como uma grave violação dos direitos dos menores e alertou para as consequências físicas, emocionais, psicológicas e sociais que podem resultar destes crimes.
A governante defendeu que os números não devem ser tratados apenas como estatísticas, uma vez que representam crianças e famílias afetadas por situações de violência.
Para Dina Emiliana Mayimona, a prevenção e o combate ao abuso sexual exigem uma ação coordenada entre Estado, famílias, comunidades, instituições religiosas e outras organizações da sociedade.
O simpósio, subordinado ao lema “O Papel dos Ministros de Culto na Proteção da Criança e na Prevenção do Abuso Sexual de Menores”, reuniu representantes de instituições públicas e líderes religiosos para discutir mecanismos de prevenção, deúncia e proteção das crianças.
O bastonário da OPEA, Bernardo Amilton dos Santos, anunciou a intenção de elaborar uma Declaração de Luanda sobre o compromisso das igrejas com a proteção dos menores.
Está igualmente prevista a realização de ações de formação destinadas aos ministros de culto, com o objetivo de reforçar conhecimentos sobre prevenção, identificação de situações de risco e mecanismos de proteção das crianças nos espaços religiosos.
Bernardo Amilton dos Santos defendeu que os locais de culto devem ser espaços de segurança, proteção e acolhimento, repudiando qualquer envolvimento de líderes religiosos em atos de violência contra menores.
Os dados apresentados no encontro reforçam o desafio enfrentado por Angola na proteção da infância e colocam em evidência a necessidade de fortalecer os mecanismos de denúncia, acompanhamento das vítimas e responsabilização dos alegados autores.






