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CPLP propõe missão de alto nível para ajudar a estabilizar situação na Guiné-Bissau

Redacção3 min de leitura3 comentários

CPLP propõe missão de alto nível para ajudar a estabilizar situação na Guiné-Bissau

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) recomendou o envio de uma missão de bons ofícios de alto nível à Guiné-Bissau, numa tentativa de contribuir para a estabilização política e para o restabelecimento da normalidade democrática no país.

A decisão foi tomada numa reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da CPLP, realizada à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

A recomendação foi anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, durante uma conferência de imprensa na Cidade da Praia. Segundo o governante, os responsáveis pela diplomacia dos países membros concertaram posições sobre a situação guineense e defenderam uma intervenção diplomática de alto nível.

A missão deverá ter como objectivo apoiar os esforços de estabilização política e contribuir para o regresso da Guiné-Bissau à normalidade democrática e constitucional.

A iniciativa da CPLP surge num momento de forte incerteza política, marcado também pela expectativa em torno do anunciado regresso ao país do antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló.

Embaló tinha indicado que regressaria à Guiné-Bissau este domingo, mas as autoridades de transição afirmaram que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias para garantir o seu regresso.

Nos últimos dias foram igualmente registadas movimentações no interior das Forças Armadas e relatos sobre o alegado desarmamento de estruturas militares consideradas próximas do antigo chefe de Estado.

As medidas foram recebidas de forma positiva por sectores da oposição e da sociedade civil, num contexto de preocupação com a segurança e a estabilidade institucional do país.

Num comunicado divulgado após a reunião, a CPLP reiterou o seu apoio ao restabelecimento da normalidade constitucional e ao funcionamento de um Estado democrático na Guiné-Bissau.

O documento, contudo, não fez referência directa à missão de alto nível anunciada pelo ministro cabo-verdiano.

A eventual intervenção diplomática da organização ocorre num contexto em que diferentes actores nacionais e internacionais procuram encontrar uma saída para a actual crise política guineense.

Perante as restrições ao seu regresso, Umaro Sissoco Embaló voltou a pronunciar-se através das redes sociais.

O antigo Presidente apelou à serenidade dos seus apoiantes e afirmou estar a aguardar o levantamento das limitações que impedem o seu retorno ao território nacional. Embaló rejeitou igualmente acusações relacionadas com alegados crimes cometidos durante o período em que esteve no poder.

Uma estrutura militar conhecida como “Anti-Golpe”, associada ao antigo Presidente, é acusada por sectores da sociedade civil de envolvimento em actos de tortura, agressões, raptos e assassinatos. Embaló rejeita essas acusações e afirma que nunca criou as Forças Especiais de Defesa e Segurança com o propósito de actuarem contra a população.

A recomendação da CPLP acrescenta, assim, uma nova dimensão diplomática aos esforços para encontrar uma solução para a crise guineense, com a organização lusófona a defender o regresso à normalidade democrática e constitucional.

Fonte: RFI com AFP

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