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Moçambique pede reforço de cooperação regional nas fronteiras da África austral

O ministro do Interior moçambicano defendeu nesta quinta-feira 15, em Pretória Capital da África do Sul, o reforço urgente da cooperação regional e patrulhas conjuntas nas fronteiras da África austral para travar o crime organizado transnacional, como tráfico de droga, roubo de viaturas e raptos.

RedacçãoPretória3 min de leitura3 comentários

Moçambique pede reforço de cooperação regional nas fronteiras da África austral

“As nossas fronteiras territoriais e marítimas devem ser pontes de desenvolvimento e comércio legal, mas devem simultaneamente ser muralhas intransponíveis para a criminalidade”, afirmou Paulo Chachine, na abertura da reunião da Célula de Planeamento Trilateral (TPC, em inglês), na África do Sul.

O TPC é um órgão estratégico de segurança e inteligência constituído pela 'troika' por Moçambique, África do Sul e Tanzânia, dedicado à coordenação de operações de combate ao crime organizado transnacional, com incidência no tráfico de droga, raptos e roubo de viaturas na região da África austral.

Para alcançar esses objectivos, o governante moçambicano defendeu um reforço da partilha de informação estratégica entre os Estados-membros.

“A nossa inteligência deve antecipar-se às ações criminosas. Exigimos uma articulação operacional em tempo real, que neutralize as redes logísticas e financeiras que alimentam a instabilidade”, disse o ministro.

Paulo Chachine defendeu igualmente a intensificação das patrulhas coordenadas e conjuntas ao longo das fronteiras comuns.

“É imprescindível que os nossos setores de defesa e segurança interna dominem as novas tecnologias de vigilância e cibersegurança”, acrescentou.

O apelo surge num contexto de preocupações crescentes com a criminalidade organizada na região e poucas horas depois de as autoridades moçambicanas denunciarem a presença, no país, de redes internacionais de tráfico de droga.

Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), Ilídio Miguel, operam actualmente em Moçambique uma rede paquistanesa, os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração (CJNG) e a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o responsável, a rede paquistanesa ganhou particular destaque na década de 1990 e voltou a ganhar força a partir de 2019, enquanto os cartéis mexicanos operam sobretudo na rota sul.

Já o PCC estabeleceu ligações no país através de Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como “Fuminho”, apontado pelas autoridades brasileiras como um dos maiores narcotraficantes do país e detido em abril de 2020 em Maputo.

As autoridades moçambicanas têm manifestado preocupação com a capacidade destas organizações de se infiltrarem em instituições do Estado através da corrupção.

Segundo Ilídio Miguel, desde 2022 verificou-se uma redução do uso das rotas terrestres e da zona costeira, sobretudo no norte do país, em benefício da via aérea para o transporte de estupefacientes.

O responsável revelou ainda que as autoridades apreenderam esta semana, no Aeroporto Internacional de Maputo, quantidades não especificadas de droga proveniente do Brasil, tendo sido igualmente detido o alegado proprietário da carga.

Desde janeiro, acrescentou, pelo menos seis pessoas associadas ao cartel de Sinaloa foram detidas em processos relacionados com a apreensão de cinco toneladas de fentanil.

Apesar dos resultados alcançados, o diretor-geral do Sernic reconheceu a existência de desafios ligados ao quadro legal, à cooperação internacional, à capacitação institucional e ao combate à corrupção.

O número de moçambicanos detidos na diáspora aumentou de 42 para 56, sendo o Brasil o país com mais casos registados. Em Moçambique, 812 pessoas encontravam-se detidas por crimes relacionados com drogas no final do primeiro semestre de 2026, contra 844 em igual período de 2025.

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