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Trump anuncia cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia, mas Zelensky diz não ter sido informado

Rússia e Ucrânia poderão suspender ataques à energia, mas acordo continua por esclarecer, trégua anunciada, divide posições enquanto bombardeamentos continuam na Ucrânia

Redacção4 min de leitura3 comentários

Trump anuncia cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia, mas Zelensky diz não ter sido informado

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este domingo que a Rússia e a Ucrânia concordaram em suspender os ataques contra infra-estruturas energéticas. Volodymyr Zelensky, porém, afirmou desconhecer qualquer acordo, embora tenha manifestado disponibilidade para aceitar uma trégua, desde que Moscovo também interrompa os bombardeamentos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a existência de um entendimento entre a Rússia e a Ucrânia para pôr fim aos ataques contra instalações energéticas dos dois países. A declaração foi divulgada através da sua rede social, Truth Social, sem que fossem apresentados detalhes sobre as condições ou a data de entrada em vigor do eventual acordo.

“Ambos os lados concordaram. Não o quebrem!”, escreveu Trump, numa mensagem em que declarou o início de um cessar-fogo energético no conflito.

Entretanto, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter sido surpreendido pelo anúncio. Segundo declarações citadas pelo portal norte-americano Axios, o líder ucraniano afirmou que Kiev está preparada para aceitar a suspensão dos ataques, caso a Rússia assuma o mesmo compromisso.

Zelensky pediu ainda esclarecimentos sobre os termos da iniciativa, sublinhando que, se o entendimento foi negociado directamente entre Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, a Ucrânia deve ser formalmente informada.

“Digam-nos quando é que este cessar-fogo entrará em vigor: estamos prontos e aceitá-lo-emos”, terá declarado, segundo o jornalista Barak Ravid, do Axios.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou apoio à proposta de uma trégua energética, mas acusou Moscovo de continuar a atacar infra-estruturas ucranianas.

Macron reiterou que a França continuará ao lado da Ucrânia e de Zelensky, numa posição também apoiada pela presidente da Comissão Europeia, segundo a informação divulgada pela RTP.

Antes do anúncio de Trump, Zelensky já tinha manifestado disponibilidade para suspender os ataques ucranianos contra refinarias russas, desde que Moscovo deixasse de visar as infra-estruturas energéticas da Ucrânia.

Apesar das declarações políticas, a informação disponibilizada não confirma que o cessar-fogo tenha começado efectivamente, nem esclarece os mecanismos previstos para garantir o cumprimento do compromisso por ambas as partes.

O anúncio da eventual trégua surge num contexto de novas críticas de Donald Trump ao Presidente ucraniano. No sábado, 10 de Outubro, o chefe de Estado norte-americano defendeu que a Ucrânia deveria escolher um novo líder, alegando que Zelensky não conseguiu alcançar um acordo para terminar a guerra.

“Chegou a altura de a Ucrânia arranjar um novo Presidente”, afirmou Trump, segundo a agência Associated Press, sugerindo que o actual chefe de Estado não fez o suficiente para pôr fim ao conflito.

O Presidente norte-americano sustentou ainda que a guerra poderia ter sido evitada se estivesse na liderança dos Estados Unidos em 2022, responsabilizando a incompetência pela sua eclosão.

As declarações aprofundam as divergências políticas em torno da estratégia para terminar a guerra, numa altura em que os esforços diplomáticos conduzidos por Washington continuam sem resultados concretos.

Enquanto persistem as iniciativas diplomáticas, os ataques continuam a provocar vítimas e danos em território ucraniano.

Segundo autoridades ucranianas citadas pela RTP, bombardeamentos russos provocaram pelo menos 20 mortos, incluindo três crianças, na região de Zaporíjia. Também foram registados ataques com mísseis contra Kiev, que causaram quatro feridos.

Zelensky criticou igualmente a decisão norte-americana de autorizar temporariamente a venda e importação de gasóleo de origem russa, considerando que a medida poderá contribuir para financiar o esforço de guerra de Moscovo.

A autorização dos Estados Unidos, segundo a informação divulgada, deverá vigorar até 7 de Abril de 2027, apesar das sanções impostas à Rússia. Trump justificou a decisão com a necessidade de conter a subida dos preços dos combustíveis, associada à escalada de tensões no Médio Oriente.

O Presidente norte-americano afirmou ainda que a Rússia aceitou disponibilizar volumes de gasóleo para os mercados norte-americano e internacional, incluindo 300 mil toneladas de imediato, seguidas de outras remessas nos meses seguintes.

Em resposta aos bombardeamentos russos, a Ucrânia intensificou também as suas operações contra alvos em território russo, incluindo um terminal petrolífero na região de Rostov.

Os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra permanecem num impasse. As conversações entre representantes ucranianos e norte-americanos prosseguiram em Miami, na Florida, mas não produziram, até ao momento, um anúncio concreto sobre um acordo de paz.

A delegação ucraniana iniciou o regresso a Kiev, segundo um conselheiro de Zelensky citado pela RTP. Para as conversações tinham sido também convidados representantes da França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e NATO.

Neste cenário, o anúncio de Trump sobre uma possível trégua energética abre uma nova frente diplomática, mas a falta de confirmação pública por parte de Kiev e a ausência de detalhes operacionais deixam por esclarecer quando e como o compromisso poderá ser aplicado.

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