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Torso de imperador romano vendido por 34,3 milhões de dólares e bate recorde mundial

Escultura em mármore grego, datada do século I, foi arrematada num leilão da Sotheby’s, em Nova Iorque, após quase 14 minutos de disputa entre cinco licitadores.

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Torso de imperador romano vendido por 34,3 milhões de dólares e bate recorde mundial

Um torso monumental de um imperador romano foi vendido por 34,3 milhões de dólares, cerca de 30,5 milhões de euros, num leilão organizado pela Sotheby’s, em Nova Iorque, estabelecendo um novo recorde mundial para uma antiguidade romana vendida em leilão.

A escultura, datada da primeira metade do século I e atribuída ao período da dinastia júlio-claudiana, foi disputada durante quase 14 minutos por cinco licitadores. O valor final aproximou-se de três vezes a estimativa máxima inicial, fixada em 12 milhões de dólares, aproximadamente 10,7 milhões de euros.

Segundo a leiloeira, a peça destaca-se pelo seu estado de conservação e pela presença em publicações especializadas desde 1926, sendo considerada uma das mais relevantes esculturas imperiais romanas colocadas em leilão na última década.

Produzida em mármore proveniente da ilha grega de Paros, conhecida desde a Antiguidade pela qualidade da sua pedra, a escultura terá sido destinada à antiga cidade romana de Salona, situada na região da actual Split, na Croácia.

Apesar dessa ligação à costa adriática, os especialistas admitem que a obra tenha sido executada em Roma por escultores gregos, que preservavam a tradição artística helénica na capital do Império Romano.

A Sotheby’s assinala ainda semelhanças com esculturas preservadas nos Museus do Vaticano e no Museu Arqueológico de Zagreb, reforçando a relevância histórica e artística da peça.

A venda integrou a sessão nocturna Magnum Opus, realizada a 21 de Outubro, que alcançou receitas totais de 63 milhões de dólares, cerca de 56,1 milhões de euros. O resultado ultrapassou a estimativa máxima de 47,6 milhões de dólares, aproximadamente 42,4 milhões de euros, tendo todos os lotes sido vendidos, segundo a Sotheby’s.

A sessão reuniu obras de diferentes períodos e categorias, incluindo antiguidades romanas, pintura dos antigos mestres, tapeçarias islâmicas, mobiliário da corte francesa e arte moderna.

Entre os restantes destaques, uma pintura de Canaletto, intitulada *Veneza, vista do Grande Canal em direção a nascente com Santa Maria della Salute*, foi vendida por 6,2 milhões de dólares, cerca de 5,5 milhões de euros. Datada de aproximadamente 1740, a obra esteve durante décadas nas colecções do Minneapolis Institute of Art e do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.

Já a natureza-morta *Natureza-morta com laranjas, frutos secos e especiarias, caixas de doces, um jarro e um barril*, do pintor espanhol Luis Meléndez, atingiu cinco milhões de dólares, aproximadamente 4,4 milhões de euros.

Um retrato feminino romano em mármore, do período de Augusto, foi arrematado por 2,5 milhões de dólares, cerca de 2,2 milhões de euros. A venda superou o anterior recorde da própria peça, estabelecido em 2014.

Pelo mesmo valor foi vendida a paisagem *Vista de Haarlem a partir de noroeste*, do pintor neerlandês Jacob van Ruisdael, anteriormente cedida a instituições como o Metropolitan Museum of Art e a National Gallery, em Londres.

De acordo com a Sotheby’s, o leilão contou com participantes de 35 países, provenientes sobretudo da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia. Quase 20% dos participantes tinham menos de 40 anos, segundo os dados divulgados pela leiloeira.

Entre outras peças vendidas, um par de cadeirões atribuídos a Georges Jacob, associados à corte de Luís XVI e ao círculo de Maria Antonieta, alcançou 768 mil dólares, enquanto um fragmento de uma tapeçaria real francesa do período de Luís XIV foi vendido por 217.600 dólares.

A colecção *Magnum Opus* deverá continuar a ser apresentada em Nova Iorque e Paris até 2027. O projecto abrange mais de 900 obras, distribuídas por 26 leilões, segundo a organização.

A venda do torso imperial reforça o interesse internacional por antiguidades clássicas e evidencia o potencial de valorização de peças históricas raras no mercado mundial de arte.

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