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João Lourenço apela à União Africana para facilitar financiamentos climáticos

Presidente angolano defende menos burocracia no acesso aos fundos internacionais, mais ajudas não reembolsáveis e empréstimos concessionais para enfrentar os desafios da água e das alterações climáticas em África.

ETHO NKUNGA4 min de leitura3 comentários

João Lourenço apela à União Africana para facilitar financiamentos climáticos

O Presidente de Angola, João Lourenço, apelou à união dos países africanos para pressionarem pela simplificação dos mecanismos de financiamento internacional destinados à adaptação às alterações climáticas. O chefe de Estado defendeu igualmente a prioridade às ajudas não reembolsáveis e a disponibilização de empréstimos concessionais em condições justas para os países do continente.

A posição foi apresentada durante a abertura da IV edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência — Bienal de Luanda, que contou com a presença do Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, e de representantes de organizações internacionais.

O encontro foi dedicado ao tema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, colocando a gestão dos recursos hídricos no centro do debate sobre desenvolvimento sustentável e estabilidade no continente.

Na sua intervenção, João Lourenço destacou a necessidade de reforçar a cooperação entre os países africanos na gestão dos recursos hídricos, defendendo mecanismos de coordenação transfronteiriça capazes de prevenir tensões e resolver conflitos relacionados com a escassez de água.

O Presidente angolano apelou à implementação dos comités e das comissões de gestão das bacias hidrográficas partilhadas, considerando-os instrumentos importantes para promover a confiança mútua, o diálogo e a diplomacia preventiva.

O chefe de Estado sublinhou também o potencial da juventude africana na criação de empresas tecnológicas dedicadas à água e ao saneamento sustentável, bem como no desenvolvimento de soluções comunitárias para responder aos desafios ambientais.

Durante o discurso, João Lourenço apresentou os investimentos realizados por Angola no sector da água e anunciou a entrada em funcionamento de dois sistemas destinados a ampliar o abastecimento nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo.

Segundo o Presidente, o sistema de "Quilonga Grande", cuja inauguração estava prevista para Dezembro de 2026, deverá beneficiar cerca de cinco milhões de habitantes.

Já o sistema de "Bita", com entrada em serviço prevista para meados de 2027, deverá assegurar o abastecimento a outros 2,5 milhões de pessoas nas mesmas regiões.

No conjunto, os dois projectos poderão abranger cerca de 7,5 milhões de consumidores, de acordo com as estimativas apresentadas pelo chefe de Estado.

João Lourenço defendeu que a experiência angolana poderá servir de referência para outros países africanos que enfrentam dificuldades semelhantes no acesso à água potável, desde que a gestão dos recursos seja orientada para as necessidades das populações.

Por sua vez, o Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, defendeu o reforço da cooperação continental para garantir a segurança hídrica. O dirigente recordou que, em Julho, durante uma reunião em N’Djamena, capital do Chade, tinha apelado à criação de uma coligação africana dedicada a esta matéria.

Em Luanda, Tshisekedi destacou a importância de uma colaboração estreita entre os Estados e os mecanismos responsáveis pela gestão da água e pela prevenção de conflitos.

O Presidente congolês defendeu igualmente a criação de espaços de diálogo que permitam encontrar soluções para disputas comunitárias relacionadas com o acesso e a utilização dos recursos hídricos.

A cerimónia de abertura contou ainda com uma intervenção do director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Khaled El-Enany, e com uma mensagem do presidente em exercício da União Africana, Évariste Ndayishimiye.

El-Enany manifestou a disponibilidade da UNESCO para trabalhar com Angola e a União Africana na transformação das iniciativas da Bienal de Luanda em resultados concretos para o continente.

O responsável destacou que a organização apoia 17 países africanos na redução de riscos, no desenvolvimento de parcerias e no reforço das capacidades de gestão da água, através de uma rede de 42 comités nacionais.

A Bienal de Luanda reforça, assim, o debate sobre a necessidade de conjugar financiamento internacional, cooperação regional e gestão sustentável da água para enfrentar os efeitos das alterações climáticas e reduzir o risco de conflitos em África.

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