MLSTP regressa à vitória nas legislativas de São Tomé e Príncipe, mas sem maioria absoluta

O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) venceu as eleições legislativas de 27 de Setembro, com 24 dos 55 lugares da Assembleia Nacional. Apesar de superar a Ação Democrática Independente (ADI), que elegeu 23 deputados, o partido terá de procurar entendimentos políticos para viabilizar a governação.
Mais de duas décadas depois de ter sido a força política mais votada nas eleições legislativas, o MLSTP voltou a conquistar a primeira posição em São Tomé e Príncipe. Liderado por Américo Barros, o partido obteve 18.622 votos, garantindo 24 assentos parlamentares, contra os 23 deputados eleitos pela ADI, liderada pelo actual primeiro-ministro, Américo Ramos.
A diferença entre as duas formações foi reduzida. A ADI registou 18.061 votos, ficando 561 votos atrás do MLSTP, num resultado que deixa o Parlamento sem uma maioria absoluta, fixada em 28 dos 55 lugares.
O regresso do MLSTP à primeira posição nas legislativas acontece 24 anos depois da última vitória eleitoral do partido, em 2002. Em 2018, a formação política também chegou ao Governo, sob a liderança de Jorge Bom Jesus, através de um entendimento pós-eleitoral com a coligação PCD-UDD-MDFM, apesar de a ADI ter obtido a maioria simples.
Perante a ausência de uma maioria parlamentar, o Presidente da República, Carlos Vila Nova, deverá ouvir os partidos políticos antes de decidir sobre a composição do próximo Executivo.
Em declarações à Rádio França Internacional (RFI), o chefe de Estado defendeu a necessidade de um Governo sustentado por uma base parlamentar capaz de garantir estabilidade e condições para a execução das políticas públicas.
Enquanto decorrem contactos e negociações entre as forças políticas, a formação do novo Governo dependerá dos entendimentos que venham a ser estabelecidos no Parlamento.
Além dos dois partidos mais votados, outras formações conseguiram representação parlamentar.
A coligação Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN), liderada por Domingos “Nino” Monteiro, obteve 4.142 votos e elegeu seis deputados.
O Movimento Basta, liderado por Levy Nazaré, conquistou dois lugares na Assembleia Nacional, com 4.639 votos. Entretanto, o seu líder anunciou a demissão, abrindo uma nova etapa na liderança da formação política.
O Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o Movimento Político Nossa Terra não conseguiram eleger representantes para o Parlamento.
As eleições de 27 de Setembro abrangeram igualmente a região autónoma do Príncipe e os órgãos autárquicos.
Na ilha do Príncipe, a União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), que governa a região há cerca de 20 anos, voltou a vencer. A formação política, liderada por Filipe Nascimento, conquistou seis mandatos, assegurando a maioria absoluta.
Os resultados regionais e autárquicos revelaram também a distribuição do apoio político entre diferentes forças partidárias no território são-tomense.
Um dos dados mais relevantes do processo eleitoral foi a elevada taxa de abstenção, que atingiu 62,92%, segundo os números divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional.
O resultado evidencia o reduzido nível de participação dos eleitores nas legislativas e coloca em destaque o desafio de mobilizar a população para os processos democráticos.
Com o Parlamento dividido e sem uma maioria absoluta, São Tomé e Príncipe entra agora numa fase de negociações políticas, na qual os entendimentos entre partidos serão determinantes para a formação e sustentação do próximo Governo.






