G7 anuncia libertação de reservas de combustível após pressão dos EUA

Os países do G7 decidiram avançar com a libertação de reservas estratégicas de petróleo e gasóleo para aliviar a pressão sobre os mercados internacionais de combustíveis. A medida surge depois de Washington ter pressionado os países europeus a colocar reservas no mercado e ameaçado restringir as exportações norte-americanas de gasóleo para a Europa.
Os países do G7 — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido deverão libertar cerca de 100 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo e produtos refinados ao longo dos próximos quatro meses.
A operação será coordenada pela Agência Internacional de Energia (IEA), segundo anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron, que atualmente assume a liderança do grupo.
A decisão ocorre num momento de elevada tensão no mercado energético internacional e depois de os Estados Unidos defenderem uma libertação mais significativa das reservas europeias para conter a subida dos preços dos combustíveis.
Washington terá defendido inicialmente a disponibilização de cerca de 120 milhões de barris, enquanto os países europeus discutiram uma primeira operação envolvendo aproximadamente 50 milhões de barris.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem defendido publicamente a utilização das reservas estratégicas para aumentar a oferta de combustíveis e reduzir a pressão sobre os preços.
Trump chegou também a admitir a possibilidade de limitar as exportações de gasóleo dos Estados Unidos para outros mercados, numa medida que poderia afetar particularmente a Europa.
Os Estados Unidos tornaram-se nos últimos meses um fornecedor importante de gasóleo para o mercado europeu, aumentando a dependência europeia deste produto num período de instabilidade no abastecimento mundial.
A Comissão Europeia alertou que uma eventual restrição norte-americana às exportações poderia afetar a confiança na relação energética entre os dois lados do Atlântico.
A Alemanha esteve entre os países mais cautelosos relativamente à utilização das reservas estratégicas. Berlim defende que esses stocks devem permanecer disponíveis para situações de emergência ou de escassez efetiva de combustíveis.
Apesar das reservas, a pressão sobre os preços permanece elevada devido às perturbações provocadas pelos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, além dos ataques contra infraestruturas petrolíferas russas.
Na quinta-feira, Trump e Macron mantiveram uma conversa sobre a situação energética internacional e a necessidade de garantir o abastecimento de produtos refinados.
Apesar da decisão do G7, os preços do petróleo continuam elevados. O barril de Brent negociava esta sexta-feira acima dos 99 dólares, embora com uma queda superior a 3%
Em Portugal, a descida dos preços dos combustíveis prevista para a semana seguinte deverá ser limitada. O gasóleo deverá baixar cerca de três cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá recuar aproximadamente 3,5 cêntimos.
Mesmo com a redução, os preços permanecem significativamente acima dos níveis registados antes da atual crise energética.
Analistas do mercado energético alertam que uma eventual redução das exportações norte-americanas de gasóleo poderia provocar novas pressões sobre os preços na Europa.
A consultora Argus Media considera que restrições ao comércio internacional de gasóleo poderiam levar os preços europeus para níveis excecionalmente elevados.
Ao mesmo tempo, uma eventual proibição das exportações norte-americanas poderia produzir efeitos contraditórios: embora pudesse reduzir inicialmente alguns preços nos Estados Unidos, poderia aumentar a pressão sobre o mercado mundial e incentivar as refinarias a alterar a produção entre gasóleo e gasolina.
A situação no Médio Oriente permanece um dos principais fatores de instabilidade no mercado petrolífero internacional.
As perturbações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, continuam a representar um risco para o abastecimento e para os custos de transporte.
A Arábia Saudita tem procurado utilizar rotas alternativas para manter as exportações, recorrendo ao sistema de oleodutos que liga a região oriental do país ao Mar Vermelho.
Dados citados por analistas indicam que as exportações sauditas de crude atingiram cerca de seis milhões de barris por dia, aproximando-se dos níveis registados antes do agravamento do conflito.
Apesar da recuperação das exportações, os custos elevados do transporte marítimo, a redução da oferta iraniana e a manutenção das tensões geopolíticas continuam a impedir uma normalização completa do mercado.
Para analistas da XTB, a recuperação parcial das exportações do Médio Oriente reduz o risco de uma crise de abastecimento ainda mais severa, mas não elimina os fatores que mantêm os preços elevados.
A combinação entre alterações nas rotas de transporte, maiores custos de frete, riscos associados ao Estreito de Ormuz e incertezas geopolíticas mantém o mercado energético numa situação de elevada volatilidade.
A libertação das reservas estratégicas pelo G7 pretende, assim, aumentar a oferta disponível e contribuir para aliviar a pressão sobre os preços, mas o impacto final dependerá da evolução dos conflitos e da capacidade dos mercados internacionais para recuperar níveis mais estáveis de abastecimento.






