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Colisão entre comboios de alta velocidade em Espanha deixa dezenhas de mortos em

Dezenas de pessoas terão morrido após a colisão entre dois comboios de alta velocidade em Espanha, que circulavam entre Madrid e Andaluzia. Mais de 500 pessoas viajavam nos dois comboios sinistrados.

RedacçãoMadrid4 min de leitura3 comentários

Colisão entre comboios de alta velocidade em Espanha deixa dezenhas de mortos em

A colisão ocorreu entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo, às 8h54 locais (menos uma hora em Portugal continental). A imprensa espanhola, com base em informação veiculada pela Proteção Civil, fala em pelo menos 46 vítimas mortais e mais de 179 feridos. Já fontes do governo de Castela-La Mancha confirmaram ao El País a existência de, pelo menos, 30 vítimas mortais.

Antes disso, a porta-voz de Castela-La Mancha, Esthter Padilla, confirmou à TVE dez vítimas mortais, mas admitiu que o número, "com toda a segurança", vai aumentar, indicando que os comboios afetados são o Iryo 7076, com 146 passageiros a bordo e mais um bebé, e o AVE 2080, com 397 passageiros a bordo.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, endereçou já, em "nome do Governo e do povo de Portugal", uma mensagem de "condolências e profunda solidariedade às famílias das vítimas do grave acidente ferroviário em Toledo", partilhada no X.

"Deixo aos espanhóis, às suas autoridades e a todas as equipas a trabalhar nas operações a nossa disponibilidade para o que for necessário e o desejo de uma rápida recuperação aos feridos e a todos aqueles que foram afetados por esta tragédia", lê-se ainda na publicação.

O que se sabe sobre o acidente

Segundo a Renfe, o comboio 2080 colidiu com o Iryo 6076 à entrada da estação de Urda. Os dois vagões traseiros do comboio da Iryo descarrilaram, enquanto os serviços de emergência se deslocavam para o local do acidente.

A colisão obrigou à interrupção do tráfego ferroviário em ambos os sentidos na linha de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia, segundo informou o Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (Adif).

Fontes do governo central espanhol e de Castela-La Mancha, citadas pelo El País, admitem que pode ser "pior do que Adamuz", acidente ferroviário que vitimou 46 pessoas no início do ano em território espanhol.

As mesmas fontes, citadas pelo jornal, apontam para que tenha havido um erro humano: após uma falha no sistema de segurança, oito comboios tiveram ordem para parar naquela zona. Quando tiveram luz verde para voltar a arrancar, um dos comboios não conseguiu fazê-lo, mas um funcionário do centro de controlo de Atocha, em Madrid, não terá dado indicação ao comboio que se encontrava na mesma linha para voltar a parar, pelo que este acabou por colidir com o outro por trás.

Entretanto, numa publicação no X, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou estar "consternado com o grave acidente de comboios em Toledo", tendo garantido um "contacto permanente com o ministro dos Transportes" do país, bem como com o presidente da Junta de Comunidades de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page.

O chefe do Governo de Espanha disse ainda que os "serviços de emergência estão a trabalhar no terreno para auxiliar as pessoas afetadas e garantir a sua segurança", em coordenação com as autoridades competentes. Endereçou também uma mensagem de "carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias".

Já o ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, escreveu no X que está a tentar "obter toda a informação possível" e deslocou-se já para o centro de controlo do tráfego ferroviário em Espanha, na estação de Madrid-Puerta de Atocha.

O executivo espanhol cancelou, entretanto, toda a agenda para esta quarta-feira, após o acidente ferroviário.

A Guardia Civil já enviou para o local do acidente, desde Madrid, uma equipa de gestão de grandes catástrofes do seu serviço criminal (SECRIM). Do dispositivo de assistência mobilizado para o local fazem também parte os serviços de emergência de Castela-La Mancha, os bombeiros, a Proteção Civil e profissionais de saúde, que auxiliarão no posto médico avançado que está a ser estabelecido no local para prestar assistência às vítimas.

A Renfe, operadora pública da rede ferroviária espanhola, disponibilizou, entretanto, o número 900 10 10 20 para os afetados e familiares dos afetados. A empresa anunciou ainda que os passageiros afetados pelas alterações nos serviços entre Madrid, Ciudad Real e a Andaluzia poderão solicitar alterações e cancelamentos gratuitos.

Em janeiro, 46 pessoas morreram no sul de Espanha quando um comboio descarrilou e colidiu com outro que vinha em sentido contrário. Tinha sido o acidente mais mortífero em Espanha desde 2013, quando 80 pessoas perderam a vida. O incidente de janeiro abalou a confiança que este país europeu deposita na sua extensa rede ferroviária de alta velocidade.

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