Diário IndependenteInformar com rigor e independência desde 2013
Última Hora
Cultura

Artistas angolanos apresentam trabalhos sobre preservação dos oceanos após residência artística

A mostra, aberta até 30 de Outubro, resulta de quatro semanas de formação, investigação e contacto com comunidades, numa iniciativa da Atlantic Logistic Services, em parceria com a galeria The Art Affair, dedicada à relação entre arte e preservação marinha.

RedacçãoLuanda4 min de leitura3 comentários

Artistas angolanos apresentam trabalhos sobre preservação dos oceanos após residência artística

Irene A’mosi, Wilson Belas e Maria Brandão apresentaram, a 28 de Outubro, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda, os trabalhos desenvolvidos na primeira residência “Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos”. A mostra, aberta até 30 de Outubro, resulta de quatro semanas de formação, investigação e contacto com comunidades, numa iniciativa da Atlantic Logistic Services, em parceria com a galeria The Art Affair, dedicada à relação entre arte e preservação marinha.

A apresentação pública assinalou o encerramento da residência, realizada de 21 de Setembro a 21 de Outubro, no Hotel Globo. Seleccionados entre 23 candidaturas, os artistas participaram em formações, visitas de campo e sessões de acompanhamento do curador Hemak Verkron, com o objectivo de desenvolver propostas próprias a partir da reflexão sobre os oceanos e as questões ambientais.

O programa incluiu conversas com especialistas, actividades sobre arte e ecologia e contacto com espaços de deposição de resíduos. Estas experiências permitiram observar diferentes realidades e aprofundar a investigação sobre a utilização de materiais descartados, a relação com o território e os impactos da actividade humana no ambiente.

Os trabalhos apresentados seguiram abordagens distintas. Irene A’mosi investigou a ligação entre memória, recursos marinhos, economia e ambiente. Wilson Belas aproximou a sua proposta da realidade dos bairros de Luanda e da circulação de resíduos. Maria Brandão explorou materiais reutilizados e aprofundou a dimensão conceptual da sua prática. As propostas recorreram a diferentes linguagens artísticas, não se limitando à produção de peças plásticas. A exposição reúne os resultados de percursos individuais marcados pelo diálogo entre experiências pessoais, observação do território e novas formas de expressão.

Para Irene A’mosi, o contacto com outros artistas, mentores e áreas de conhecimento permitiu rever e aprofundar a pesquisa inicial. “É quase impossível sair como se entra. É um processo transformativo”, afirmou a artista, ao fazer o balanço das quatro semanas de residência.

Wilson Belas destacou as visitas de campo e a aproximação à realidade de quem recolhe e aproveita materiais descartados. “Vou sair com a bateria mais carregada e com outro conceito sobre os resíduos”, referiu, acrescentando que pretende dar maior continuidade a estas preocupações no seu trabalho.

Já Maria Brandão sublinhou a importância de investigar para além da dimensão visual das obras. A artista, que trabalha habitualmente com materiais reutilizados, explicou que a residência a levou a aprofundar as questões ambientais e a repensar o modo como desenvolve os seus projectos.

A aproximação às comunidades integrou uma actividade com crianças no Mussulo, dedicada à educação ambiental e à reutilização de resíduos sólidos. Os participantes recolheram materiais descartados na praia e transformaram-nos em máscaras, associando aprendizagem e criação. Maria Brandão destacou o entusiasmo das crianças, com idades aproximadas entre os seis e os 13 anos, ao descobrirem novas utilizações para objectos encontrados na zona costeira.

Para Hemak Verkron, curador da residência, “Ao longo destas quatro semanas, foi possível acompanhar a evolução dos três artistas, não apenas na forma como desenvolveram os seus trabalhos, mas também na maneira como passaram a olhar para as questões ambientais. Cada artista encontrou uma forma própria de interpretar a relação entre a arte, o território e a preservação dos oceanos”.

Cada artista beneficiou de um subsídio de participação de um milhão de kwanzas, num total de três milhões de kwanzas, além de alojamento, alimentação e acompanhamento técnico e curatorial durante a residência.

Alexandra Gonçalves, representante da galeria The Art Affair, considerou que “Esta residência proporcionou aos artistas um espaço de investigação, experimentação e partilha de conhecimentos. A apresentação pública dos trabalhos permite agora partilhar com a comunidade o resultado desse percurso”.

A inauguração decorreu a 28 de Outubro, entre as 16h00 e as 19h00, com a presença dos artistas, que apresentaram os trabalhos e partilharam experiências do processo criativo. A ocasião incluiu a entrega de certificados de participação. A mostra permanece aberta nos dias 29 e 30 de Outubro, das 10h00 às 17h00, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda.

O “Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos” é promovido pela Atlantic Logistic Services, em parceria com a galeria The Art Affair, e associa criação artística, investigação e sensibilização ambiental junto das comunidades costeiras. em território angolano.

Partilhar

Comentários (3)

Deixe o seu comentário

Os comentários são moderados antes de publicação.

Newsletter diária, às 7h