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Tribunal de Contas admite recurso ao Constitucional contra fim do visto prévio

ETHO NKUNGALisboa3 min de leitura3 comentários

Tribunal de Contas admite recurso ao Constitucional contra fim do visto prévio

Presidente da instituição, Filipa Urbano Calvão, contesta a reforma em discussão no Parlamento e defende a manutenção de mecanismos de fiscalização sobre obras e despesas públicas.

A presidente do Tribunal de Contas, Filipa Urbano Calvão, admite recorrer ao Tribunal Constitucional caso avance a reforma da Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas que prevê alterações ao atual regime de visto prévio.

Em declarações à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, a responsável afirmou que o Tribunal de Contas não pode deixar de exercer um papel de controlo sobre a aplicação dos recursos públicos. Segundo Filipa Urbano Calvão, existem fundamentos para questionar constitucionalmente algumas das normas previstas na reforma.

A presidente da instituição considera que a eliminação ou redução do controlo prévio deve ser acompanhada por mecanismos alternativos que permitam fiscalizar de forma efetiva as decisões da Administração Pública.

Filipa Urbano Calvão questiona, em particular, a ideia de que a simplificação dos procedimentos administrativos, por si só, será suficiente para garantir maior eficácia na gestão das finanças públicas. Na sua avaliação, o reforço dos mecanismos de controlo interno não deve significar o afastamento do controlo externo exercido pelo Tribunal de Contas.

A responsável defende ainda que determinados investimentos, sobretudo aqueles que podem gerar encargos para as futuras gerações, devem continuar sujeitos a fiscalização, independentemente do seu valor. Entre as preocupações está a possibilidade de projetos inferiores a 10 milhões de euros ficarem fora do atual modelo de controlo prévio.

Caso o visto prévio seja limitado, o Tribunal de Contas entende que deverá dispor de instrumentos que permitam uma intervenção corretiva efetiva, incluindo a possibilidade de impedir a execução de obras que não cumpram as exigências legais.

O Governo tem apontado a demora dos processos como uma das razões para a reforma. Filipa Urbano Calvão rejeita, contudo, que o Tribunal de Contas seja responsável pelos atrasos na execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), referindo que a resposta da instituição demora, em média, cerca de um mês e meio.

A presidente do Tribunal de Contas abordou também a Conta Geral do Estado, que voltou a receber uma apreciação negativa da instituição. Segundo Filipa Urbano Calvão, persistem dificuldades que impedem uma visão totalmente precisa sobre a situação das contas públicas.

A responsável considera que o Tribunal deve continuar a sinalizar os riscos identificados, mesmo quando os seus alertas são incómodos para o Governo.

Filipa Urbano Calvão defende, assim, que qualquer alteração ao modelo de fiscalização deve garantir que os recursos públicos continuam sujeitos a mecanismos de controlo eficazes e que as decisões tomadas pelas entidades públicas possam ser avaliadas quanto à sua legalidade e impacto financeiro.

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