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Moçambique diz que bandeira do país foi usada de forma fraudulenta no navio atacado nos mares do Irão

“Temos a esclarecer que a referida embarcação não consta do Registo Nacional de Navios da…

Marcelino Gimbi3 min de leitura3 comentários

Moçambique diz que bandeira do país foi usada de forma fraudulenta no navio atacado nos mares do Irão

“Temos a esclarecer que a referida embarcação não consta do Registo Nacional de Navios da República de Moçambique, não possui autorização para arvorar a bandeira moçambicana e não foi registada ao abrigo do regime jurídico marítimo nacional. Assim, todas as indicações disponíveis apontam para um uso ilegal e fraudulento da bandeira da República de Moçambique, facto que constitui uma grave violação do Direito Marítimo Internacional”, referiu o Instituto do Transporte Marítimo (Itransmar), num comunicado, citado pela Lusa.

Em causa está um navio-tanque de gás de bandeira moçambicana que foi atacado na sexta-feira em águas territoriais iranianas. Os 28 tripulantes indianos que se encontravam a bordo estão em segurança, conforme indicou a Embaixada da Índia em Teerão.

Numa nota informativa a que a agência Lusa teve acesso, a representação diplomática indiana indicou que o navio “DISHA” (IMO 8818219) “foi alvo de um ataque em águas territoriais iranianas” na sexta-feira.

No comunicado emitido neste domingo, a autoridade reguladora do transporte marítimo moçambicano apontou para a utilização “abusiva ou fraudulenta” da bandeira moçambicana, bem como para práticas suscetíveis de comprometer a segurança marítima, a integridade dos sistemas internacionais de registo de navios, a confiança entre os Estados e o princípio fundamental da liberdade de navegação, prometendo investigar o caso.

“Neste contexto, está em curso a recolha de informação junto das organizações internacionais relevantes e das autoridades dos Estados envolvidos, com vista ao completo esclarecimento dos factos e à identificação dos responsáveis pela utilização indevida da bandeira nacional”, afirmou o instituto.

A instituição garantiu ainda que irá continuar a cooperar com a comunidade internacional na promoção da segurança marítima, na proteção da vida humana no mar e no respeito pelo Direito Internacional, pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) e pelos demais instrumentos internacionais aplicáveis ao transporte marítimo.

O “DISHA” é um navio-tanque de GPL, construído em 1990, com 230 metros de comprimento e capacidade para transportar cerca de 50 mil toneladas de carga. É utilizado para transportar GPL, um combustível amplamente utilizado em cozinhas domésticas, na indústria e na produção de energia.

Conforme noticiou a Lusa, a representação diplomática indiana não avançou detalhes sobre as circunstâncias do ataque, a natureza dos danos sofridos pela embarcação ou a eventual existência de outros tripulantes de diferentes nacionalidades.

Também não foram divulgadas informações sobre os autores do ataque nem sobre o local exato do incidente.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos apelou na sexta-feira à retirada de cerca de seis mil marinheiros retidos no estreito de Ormuz, num momento em que várias embarcações estão bloqueadas na zona devido ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

O recrudescimento dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão nas últimas semanas ditou o fracasso do memorando de entendimento que tinham negociado em junho, sob mediação do Paquistão.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que os mais recentes bombardeamentos sobre várias regiões iranianas foram concebidos para “degradar ainda mais a capacidade do Irão de ameaçar os marinheiros civis e os navios comerciais que transitam pelas águas regionais”.

As autoridades norte-americanas querem pressionar o regime de Teerão de forma a retomar a livre navegação no estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava um quinto do petróleo e gás mundial em tempo de paz.

Em retaliação aos mais recentes ataques norte-americanos, Teerão tem atacado países aliados dos Estados Unidos na região, como é o caso do Kuwait, Bahrein e Jordânia.

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