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Crise da habitação leva milhares às ruas de Madrid contra rendas e despejos

RedacçãoMadrid3 min de leitura3 comentários

Crise da habitação leva milhares às ruas de Madrid contra rendas e despejos

Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado, em Madrid, contra o agravamento da crise da habitação, o aumento das rendas e os despejos. As autoridades estimam a participação em cerca de 70 mil pessoas, enquanto os organizadores e outras estimativas apontam para perto de 500 mil manifestantes.

A capital espanhola foi palco, este sábado, de uma grande mobilização popular contra as dificuldades de acesso à habitação e os elevados custos das rendas.

Os manifestantes concentraram-se em quatro pontos distintos de Madrid e avançaram em direção à Praça de Cibeles, onde milhares de pessoas se reuniram para exigir medidas concretas para travar o aumento dos preços da habitação.

As colunas partiram da Glorieta de Emilio Castelar, Atocha, Hospital de la Princesa e Praça de Espanha, convergindo posteriormente no centro da capital.

Entre os participantes encontravam-se também pessoas que permanecem acampadas há cerca de uma semana na Puerta del Sol, numa ação de protesto contra a situação do mercado imobiliário.

Durante a manifestação foram exibidos cartazes com mensagens como “Greve geral” e ouvidos cânticos contra o chamado rentismo.

O Sindicato de Inquilinas, uma das organizações promotoras do protesto, reivindica uma redução de 50% nas rendas, contratos de arrendamento sem termo e medidas contra os fundos de investimento considerados responsáveis por práticas especulativas no setor imobiliário.

A porta-voz da organização, Valeria Racu, afirmou que está a ser negociada com outras entidades a convocação de uma greve geral, embora ainda não exista uma data definida.

Segundo a responsável, os promotores pretendem organizar uma mobilização de grandes dimensões para pressionar as autoridades a adotarem medidas destinadas a tornar a habitação mais acessível

O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Antonio Garamendi, afirmou respeitar o direito de manifestação, mas advertiu que a organização empresarial reagiria caso fosse convocada uma paralisação geral.

Garamendi considera que uma eventual greve poderá ser ilegal, aumentando a tensão entre os movimentos de inquilinos e o setor empresarial.

Em Valência, centenas de manifestantes saíram igualmente às ruas, seguindo um percurso diferente do habitual. A marcha dirigiu-se para o Palau de les Arts Reina Sofía, onde decorre o congresso imobiliário Valencia Real Estate Summit 2026.

O evento reúne representantes do setor imobiliário e investidores, sendo também marcado pela participação de figuras conhecidas da política e da economia espanhola.

Os protestos refletem a crescente preocupação em várias cidades espanholas com o aumento das rendas, a dificuldade de acesso à compra de casa e o número de famílias afetadas por despejos.

Com a habitação no centro do debate político e social, os movimentos de inquilinos prometem manter a pressão sobre o Governo espanhol e as autoridades regionais para que sejam adotadas medidas capazes de travar a escalada dos preços e garantir maior proteção aos arrendatários.

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