PSI afunda 1,97% com forte queda da banca e BCP perde mais de 4%

A Bolsa de Lisboa encerrou esta quinta-feira em terreno negativo, com o índice PSI a cair 1,97%, para 9.476,60 pontos, pressionado sobretudo pelo setor bancário e acompanhado pela queda generalizada das principais praças europeias. O BCP liderou as perdas entre as cotadas nacionais, ao desvalorizar 4,61%.
A sessão bolsista em Lisboa foi marcada por uma forte pressão vendedora, com todas as empresas que integram o PSI a terminarem o dia em baixa. O movimento acompanhou a tendência negativa registada nos principais mercados europeus.
O BCP foi a cotada mais penalizada, encerrando nos 1,1590 euros, depois de uma queda de 4,61%. Os CTT recuaram 2,44%, para 6,00 euros, enquanto a EDP Renováveis perdeu 2,33%, para 12,57 euros.
Também a Semapa terminou a sessão com uma descida de 2,21%, para 19,90 euros, e a Galp Energia recuou 2,14%, para 21,97 euros.
Entre as quedas menos expressivas estiveram a REN, que perdeu 0,14%, para 3,550 euros, a Mota-Engil, com uma descida de 0,20%, para 5,090 euros, e a Navigator, que recuou 0,56%, para 3,192 euros.
A Mota-Engil apresentou uma das menores desvalorizações da sessão depois de ter sido conhecida a assinatura de um contrato de concessão no Brasil. A construtora portuguesa integra, através da Mota-Engil Brasil, o consórcio responsável pela concessão da chamada “Rota dos Sertões”, no qual detém uma participação de 33%.
O desempenho do mercado português acompanhou a correção registada nas principais bolsas europeias.
O EuroStoxx 50 caiu 1,49%, enquanto o Stoxx 600 recuou 1,30%. Em Londres, o FTSE 100 perdeu 1,68%. O CAC 40, em Paris, desvalorizou 1,62%, enquanto o DAX alemão caiu 1,03%.
Em Milão, o FTSE MIB registou uma queda de 2,21% e, em Madrid, o IBEX 35 recuou 2,17%.
De acordo com o comentário de fecho do Millennium Investment Banking, a pressão sobre os mercados esteve relacionada, entre outros fatores, com as preocupações em torno das contas públicas francesas e com o debate orçamental no país.
O aumento do diferencial entre as yields das obrigações francesas e alemãs a 10 anos foi igualmente apontado como um sinal de maior preocupação dos investidores relativamente à situação orçamental de França.
Nos mercados energéticos, o petróleo manteve a trajetória de valorização. O preço do Brent subiu 2,86%, para 100,83 dólares por barril, enquanto o WTI avançou 1,48%, para 91,76 dólares.
A subida dos preços da energia continua a ser acompanhada de perto pelos investidores devido ao potencial impacto sobre a inflação e o crescimento económico.
As tensões geopolíticas no Médio Oriente e as incertezas relacionadas com as negociações entre os Estados Unidos e o Irão continuam também a influenciar o comportamento dos mercados, sobretudo perante as perturbações no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
No mercado obrigacionista, as yields registaram descidas, num movimento associado à procura por ativos considerados de menor risco.
A taxa da dívida alemã a 10 anos caiu 7,81 pontos base, para 3,51%, enquanto a yield das obrigações portuguesas com a mesma maturidade recuou 0,64 pontos base, para 4,01%.
O setor bancário esteve entre os mais pressionados na Europa, contribuindo para a queda do BCP em Lisboa. Em sentido contrário, o setor energético beneficiou da valorização do petróleo, enquanto o segmento tecnológico europeu conseguiu terminar a sessão com ganhos.
Nos Estados Unidos, a evolução das obrigações do Tesouro também permaneceu no radar dos investidores, num contexto de expectativas de manutenção de taxas de juro elevadas durante mais tempo.
A combinação entre as preocupações orçamentais em França, a subida dos preços do petróleo, as tensões geopolíticas e a evolução das taxas de juro contribuiu para o aumento da cautela nos mercados e para uma sessão negativa nas bolsas europeias.






