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João Lourenço defende maior financiamento africano para fortalecer AUDA-NEPAD

RedacçãoLuanda4 min de leitura3 comentários

João Lourenço defende maior financiamento africano para fortalecer AUDA-NEPAD

O Presidente de Angola e presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, defendeu, em El Alamein, no Egito, um maior compromisso político e financeiro dos países africanos com a instituição. Ao assinalar os 25 anos da NEPAD, o chefe de Estado angolano apelou aos Estados-membros para aumentarem o apoio à Agência e transformarem as decisões continentais em resultados concretos para as populações.

João Lourenço falava este sábado, 3 de outubro, durante a Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, realizada na cidade egípcia de El Alamein, sob o lema “Os 25 anos de percurso da NEPAD à AUDA-NEPAD: Reflectir sobre o passado, concretizar o futuro”.

Na abertura do encontro, o Presidente angolano destacou a evolução da organização desde a sua criação, em 2001, sublinhando que a antiga Nova Parceria para o Desenvolvimento de África se transformou numa agência da União Africana com responsabilidades na implementação das prioridades da Agenda 2063.

Segundo João Lourenço, a AUDA-NEPAD registou avanços nos últimos anos em áreas como infraestruturas, segurança alimentar, saúde, desenvolvimento do capital humano, industrialização e integração regional.

O chefe de Estado considerou, contudo, que a nova etapa da organização exige instituições mais eficientes, maior capacidade técnica e recursos financeiros suficientes para transformar projetos e programas em resultados concretos.

Um dos principais pontos defendidos pelo Presidente angolano foi o reforço do financiamento africano à AUDA-NEPAD.

João Lourenço recordou que Angola realizou, no ano passado, uma contribuição financeira voluntária para a Agência e apelou aos restantes Estados signatários da NEPAD para seguirem o mesmo caminho.

Para o Presidente, garantir um financiamento africano previsível permitirá à AUDA-NEPAD planear melhor as suas ações, responder às prioridades dos países-membros e acompanhar os projetos desde a sua preparação até à implementação.

A defesa de maior autonomia financeira está associada, segundo João Lourenço, ao princípio que esteve na origem da própria NEPAD: África assumir maior responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento.

Na intervenção, o Presidente angolano destacou também iniciativas de infraestrutura desenvolvidas no continente, com particular referência ao Corredor do Lobito.

João Lourenço recordou a realização, em Luanda, da Cimeira sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infraestruturas em África, que reuniu governos, instituições financeiras, investidores e representantes do setor privado.

Segundo o chefe de Estado, projetos como o Corredor do Lobito podem contribuir para melhorar a conectividade entre mercados africanos, estimular o comércio, apoiar os setores produtivos e desenvolver cadeias de valor regionais.

Angola trabalha igualmente com a AUDA-NEPAD para estabelecer uma presença da Agência no país, numa iniciativa que, segundo João Lourenço, poderá aproximar as estruturas continentais das necessidades concretas dos Estados-membros.

No discurso de encerramento da Cimeira, João Lourenço reforçou a necessidade de transformar os compromissos assumidos pelos líderes africanos em ações efetivas.

Para o Presidente angolano, o sucesso da AUDA-NEPAD não deve ser medido apenas pelas declarações ou estratégias aprovadas, mas pelos resultados alcançados no terreno e pelo impacto das políticas na vida das populações.

Defendeu, por isso, uma maior aproximação entre as prioridades continentais e as necessidades específicas dos Estados-membros, garantindo que os projetos sejam adaptados às realidades locais.

O Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo, acrescentou, deverá manter um papel ativo na supervisão estratégica e acompanhar regularmente a execução das decisões tomadas.

Ao encerrar a Cimeira, João Lourenço defendeu que os próximos 25 anos da AUDA-NEPAD devem ser marcados por uma maior apropriação africana, eficácia institucional e uma cultura de execução orientada para resultados.

O Presidente angolano considerou que, apesar de os desafios atuais serem diferentes daqueles que estiveram na origem da NEPAD, permanece essencial a capacidade dos países africanos de definir e executar as suas próprias prioridades de desenvolvimento.

João Lourenço manifestou ainda a expectativa de que o encontro de El Alamein represente o início de um novo ciclo de cooperação e compromisso, orientado para a construção de uma África mais integrada, próspera e soberana.

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