Especialistas defendem criação de regime específico para cabotagem e simplificação das operações
Os Especialistas defenderam, esta terça-feira, na 41.a edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), a…

Os Especialistas defenderam, esta terça-feira, na 41.a edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), a criação de um regime específico para a cabotagem, a simplificação dos procedimentos administrativos e a digitalização das operações como medidas fundamentais para tornar o transporte marítimo mais competitivo, reduzir os custos logísticos e reforçar a ligação entre as diferentes regiões de Angola.
O Porto de Luanda promoveu, no segundo dia da 41.a edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), o painel “Cabotagem: Desafios e Oportunidades, Desburocratização e Eficiência Operacional”, que reuniu especialistas para debater o papel estratégico da cabotagem no desenvolvimento do sistema logístico nacional e na melhoria da mobilidade de pessoas e mercadorias.
Moderado pela Directora de Marketing da Secil Marítima, E.P., Érika Cruz, o painel contou com as intervencões do Director de Planeamento e Programação de Navios do Porto de Luanda, Milton Cruz, e do Director de Operacões e Tripulação da Secil Marítima, E.P., Onésimo Gaspar.
Ao longo do debate, os participantes defenderam a cabotagem como uma alternativa eficiente ao transporte rodoviário, sobretudo na movimentação de grandes volumes de carga. Consideraram que uma maior utilizacáo da via marítima poderá aliviar a pressáo sobre a rede rodoviária, reduzir os custos de manutencáo das estradas e diminuir os encargos associados ao transporte de mercadorias, com reflexos positivos nos preços suportados pelos consumidores.
Na sua intervenção, Milton Cruz salientou o papel estratégico do Porto de Luanda na cadeia logística nacional, referindo que cerca de 60% das importações movimenta das em Luanda passam pela infra-estrutura portuária. Entre as prioridades da empresa, apontou a valorização dos recursos humanos, a modernização das infra-estruturas e a incorporação de novas tecnologias.
“A dimensão das operações aumenta a responsabilidade do Porto de Luanda na melhoria contínua dos serviços. A capacitação humana, a modernização tecnológica e a eficiência operacional são essenciais para respondermos melhor às necessidades dos operadores, dos utentes e da economia nacional”, afirmou.
O responsável destacou ainda os investimentos em curso destinados a reforçar o planeamento das operações, a segurança portuária e a monitorização das embarcações e mercadorias, defendendo uma maior articulação entre os transportes marítimo, rodoviário e ferroviário, com vista à construção de uma cadeia logística mais integrada e eficiente.
Por sua vez, Onésimo Gaspar apresentou os resultados alcançados pela cabotagem em Angola, destacando o transporte de cerca de 65 mil passageiros na rota Cabinda—Soyo e a movimentação de mais de sete mil toneladas de carga.
Defendeu igualmente a criação de um regime jurídico específico para a cabotagem, distinto do actualmente aplicado à navegação de longo curso, por considerar que as operações realizadas entre portos nacionais exigem procedimentos mais simples e adequados à sua natureza. Na sua perspectiva, esta diferenciação permitirá reduzir os tempos de espera, facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e aumentar a competitividade do sector, beneficiando sobretudo os pequenos e médios operadores económicos.
“A cabotagem pode reforçar a ligacáo entre as regiões, reduzir os custos logísticos e aliviar a pressão sobre a rede rodoviária. Para melhorar a eficiência do serviço, é necessário simplificar os procedimentos, avançar com a digitalizacáo, garantir a dragagem regular dos canais de acesso e reforçar os sistemas de monitorização”, declarou.
Entre os principais desafios identificados durante o painel figuram a melhoria das condições de dragagem, a implementação do sistema VTS (Vessel Traffic Service), a digitalização da bilhética e dos processos de carga, bem como um maior controlo dos custos operacionais.
0s especialistas sublinharam igualmente a importância da cabotagem para Cabinda, cuja descontinuidade territorial torna o transporte marítimo indispensável para a circulação de passageiros e o abastecimento regular da província. 0 fortalecimento desta modalidade de transporte poderá contribuir para reduzir constrangimentos logísticos, dinamizar a actividade comercial e criar novas oportunidades para os operadores privados.
A programação do Porto de Luanda na FILDA prossegue no dia 23 de Julho, das 10h00 às 12h00, com o painel “Porto de Luanda: Posição Estratégica como Hub Logístico Regional”, moderado pela Dra. Márcia Cosa e com intervenções do administrador comercial do Porto de Luanda, Silvano Araújo, e do director financeiro da DP World Luanda, Patrick Andersson.
No dia 24 de Julho, igualmente das 10h00 às 12h00, realiza-se o painel “Crescimento Profissional e Carreira Portuária”, moderado por Marco Victor, com intervenções dos especialistas Manuel Zangui e de Áurea Hungulo.
A programação encerra no dia 25 de Julho, das 10h00 às 11h00, com o painel “Subestação Eléctrica: A Matriz Energética da Modernização”, moderado pelo Pascoal João e apresentado porDória Ouichaúla.






