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África do Sul deteve quase 60 mil estrangeiros em situação irregular desde janeiro

As autoridades sul-africanas detiveram 59.947 cidadãos estrangeiros em situação irregular desde o início de 2026,…

Marcelino Gimbi3 min de leitura3 comentários

África do Sul deteve quase 60 mil estrangeiros em situação irregular desde janeiro

As autoridades sul-africanas detiveram 59.947 cidadãos estrangeiros em situação irregular desde o início de 2026, no âmbito de operações destinadas a combater a imigração ilegal e diferentes formas de criminalidade.

Os números foram divulgados pelas autoridades sul-africanas numa altura em que continuam a registar-se tensões e manifestações relacionadas com a presença de imigrantes no país.

A informação foi apresentada pela tenente-general Tebello Mosikili, co-presidente da Estrutura Nacional Conjunta de Operações e Informações (NATJOINTS), durante uma conferência de imprensa realizada em Pretória.

Segundo a responsável, a situação de segurança no país permanece sob controlo, apesar dos protestos contra a imigração e de outros desafios relacionados com a criminalidade.

Só durante o mês de julho, as forças de segurança sul-africanas detiveram 16.208 estrangeiros em situação irregular.

As operações são realizadas diariamente nas nove províncias do país e não se limitam ao controlo migratório.

De acordo com a NATJOINTS, as autoridades também procuram suspeitos com mandados judiciais, apreendem armas ilegais e desenvolvem ações contra o tráfico de droga, organizações criminosas e crimes considerados de elevada gravidade.

Os dados atualizados até 3 de agosto indicam que 77.184 cidadãos estrangeiros foram repatriados da África do Sul.

O número, contudo, apresenta diferenças em relação aos dados divulgados por alguns países de origem dos migrantes.

O Zimbabué, por exemplo, anunciou recentemente que mais de 115 mil dos seus cidadãos já tinham regressado ao país provenientes da África do Sul.

As diferenças entre os números divulgados pelas autoridades sul-africanas e pelos países de origem poderão estar relacionadas com os diferentes critérios utilizados na contabilização dos repatriamentos.

A questão migratória continua a gerar tensão em várias regiões da África do Sul, com grupos e movimentos anti-imigração a promoverem manifestações contra a permanência de estrangeiros em situação irregular.

Segundo a NATJOINTS, os protestos diminuíram de intensidade desde a grande manifestação realizada em 30 de junho, data que tinha sido estabelecida pelos organizadores como prazo para a saída dos estrangeiros em situação irregular.

Ainda assim, continuam a ocorrer manifestações localizadas em algumas províncias.

Gauteng, Mpumalanga e KwaZulu-Natal estão entre as regiões onde as autoridades registaram protestos esporádicos.

Tebello Mosikili afirmou, contudo, que a maioria das manifestações ocorreu de forma pacífica e dentro dos limites estabelecidos pela legislação sul-africana.

A responsável da NATJOINTS alertou ainda para a circulação de informações falsas nas redes sociais.

Segundo Mosikili, conteúdos considerados desinformativos podem contribuir para aumentar as tensões sociais num contexto já marcado por debates intensos sobre imigração, segurança e criminalidade.

As autoridades defendem, por isso, atenção redobrada à informação partilhada nas plataformas digitais, sobretudo quando relacionada com operações policiais, imigração e alegados atos de violência.

A situação migratória continua a ser um dos temas mais sensíveis do debate público sul-africano, num contexto em que o Governo procura reforçar o controlo das fronteiras e combater a permanência irregular de estrangeiros, enquanto organizações e grupos de defesa dos direitos dos migrantes alertam para os riscos de xenofobia e de violência contra comunidades estrangeiras.

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