Agentes da PRM matam cidadão durante operação policial em Xinavane
Um cidadão morreu na tarde de domingo, no Posto Administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça,…

Um cidadão morreu na tarde de domingo, no Posto Administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo, durante uma operação conduzida por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM). O caso gerou forte repercussão pública após a divulgação de vídeos que mostram a intervenção policial e motivou reações da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).
As imagens, gravadas por populares, mostram inicialmente três homens, dois deles fardados e armados, a tentarem imobilizar o cidadão, que oferecia resistência. Pouco depois, outros dois agentes à paisana aproximam-se do local, momento em que um deles efetua vários disparos. Pelo menos um tiro atinge a vítima na cabeça, provocando a sua morte no local. Noutro vídeo, é possível ver os agentes a abandonarem a área enquanto o ambiente era marcado pelo pânico entre os presentes
Em comunicado, a PRM esclareceu que a ação fazia parte de uma operação conjunta de busca e captura de um suspeito procurado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), identificado como Narciso Sambo.
Segundo a corporação, a abordagem ocorreu numa zona pública e a complexidade da operação levou ao recurso ao uso de armas de fogo, resultando na morte do suspeito. A polícia lamentou o desfecho fatal e reconheceu o impacto que o incidente causou junto da população.
A PRM admitiu ainda existirem indícios de possível excesso de zelo por parte dos agentes envolvidos e anunciou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias do caso. A instituição informou que poderão ser instaurados processos disciplinares e criminais, caso sejam confirmadas responsabilidades individuais.
Entretanto, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos manifestou profunda preocupação com o sucedido e condenou o que classificou como uso desproporcional da força. A CNDH defendeu que o direito à vida e à integridade física deve ser respeitado em qualquer circunstância, independentemente das suspeitas que recaiam sobre um cidadão.
A instituição apelou à Procuradoria-Geral da República para que instaure uma investigação célere e imparcial sobre a morte, ao mesmo tempo que solicitou ao Comando-Geral da PRM a divulgação urgente de informações completas e transparentes sobre o incidente.






