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Espanha reforça controlos a passageiros vindos de Itália em meio a tensão sobre Schengen

As autoridades espanholas iniciaram novos controlos em aeroportos e portos para passageiros provenientes de Itália.…

Marcelino Gimbi4 min de leitura3 comentários

Espanha reforça controlos a passageiros vindos de Itália em meio a tensão sobre Schengen

As autoridades espanholas iniciaram novos controlos em aeroportos e portos para passageiros provenientes de Itália. Cerca de 15% dos viajantes foram submetidos a verificações, enquanto Roma justifica as medidas como resposta à crise migratória em Ceuta.

As autoridades espanholas começaram este domingo a realizar controlos a passageiros provenientes de Itália nos principais aeroportos e portos do país, numa medida que surge num contexto de crescente tensão entre Madrid e Roma em torno da circulação dentro do espaço Schengen.

Segundo os primeiros dados divulgados pelas autoridades, entre 5% e 15% dos passageiros que chegaram em voos provenientes de Itália foram sujeitos à verificação de documentos.

As operações começaram no aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas, com passageiros provenientes de Roma, e foram posteriormente alargadas a viajantes oriundos de outras cidades italianas.

Os passageiros foram separados entre cidadãos da União Europeia e nacionais de países terceiros. No segundo caso, além do documento de identificação, as autoridades verificaram a existência de visto ou de autorização de residência que permita a entrada regular em território espanhol.

A Polícia Nacional espanhola informou ter verificado 199 passageiros de países terceiros que chegaram em 12 voos provenientes de Itália.

O aeroporto de Madrid concentrou o maior número de verificações, com 83 passageiros controlados num voo procedente de Roma. Em Barcelona-El Prat foram verificadas 67 pessoas, enquanto em Valência o número chegou a 33.

Também foram realizados controlos nos aeroportos de Sevilha, Bilbau e Alicante.

Até ao momento, os controlos decorreram sem perturbações relevantes. Passageiros e autoridades aeroportuárias ouvidos pelos meios de comunicação social não relataram atrasos significativos.

Do lado italiano, o Ministério do Turismo indicou que não foram registadas alterações relevantes nos fluxos turísticos. As verificações incidem sobretudo sobre cidadãos de países que não pertencem à União Europeia, com o objetivo de confirmar a regularidade da sua entrada em Espanha.

Perante o agravamento da tensão diplomática entre os dois países, o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano anunciou o reforço do acompanhamento consular aos cidadãos italianos que se encontram em Espanha ou que pretendem viajar para o país.

A diplomacia italiana atualizou igualmente as informações destinadas aos viajantes através da plataforma ViaggiareSicuri.

Roma recorda que os cidadãos italianos continuam sujeitos aos requisitos habituais de entrada, devendo apresentar um cartão de identidade ou passaporte válido durante o período da viagem.

O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, voltou a defender a decisão do Governo italiano de introduzir controlos relacionados com o espaço Schengen.

Segundo Tajani, a medida adotada por Roma surgiu na sequência da situação migratória registada em Ceuta, que considera uma circunstância excecional.

O governante italiano argumenta que existe o risco de movimentos secundários de migrantes que entram em Espanha e posteriormente procuram deslocar-se para outros países europeus.

Tajani afirmou que Itália se encontra particularmente exposta a esse fenómeno e defendeu que o país tem a responsabilidade de reforçar a proteção das suas fronteiras.

O ministro italiano também relacionou a questão migratória com preocupações de segurança, mencionando alegadas detenções de pessoas suspeitas de ligações ao extremismo jihadista em Espanha. Estas afirmações foram apresentadas por Tajani no contexto da sua defesa das medidas adotadas pelo Governo italiano.

Apesar do conflito diplomático, Tajani garantiu que a decisão italiana não representa uma rutura das relações com Madrid.

O ministro sustentou que a suspensão ou limitação temporária das regras de Schengen deve estar associada a circunstâncias concretas e excecionais, e não ser utilizada simplesmente como instrumento de retaliação política.

Tajani também criticou aquilo que considera ser uma política de acolhimento migratório sem mecanismos suficientes de controlo e integração.

Ao mesmo tempo, afirmou que Itália apoia a imigração regular quando esta responde às necessidades económicas do país.

Até ao momento, as autoridades espanholas não apresentaram novos comentários públicos sobre a disputa com Roma.

Entretanto, plataformas digitais de venda de viagens começaram a informar passageiros com destino a Espanha de que poderão ser submetidos a controlos adicionais.

Os viajantes são aconselhados a transportar documentos de identificação válidos. Para cidadãos de países terceiros, continuam a ser exigidos, quando aplicável, vistos e autorizações de residência.

A situação ocorre num momento de tensão entre dois países da União Europeia e coloca novamente em discussão o funcionamento do espaço Schengen, particularmente perante situações de emergência migratória e preocupações relacionadas com a segurança das fronteiras externas da União Europeia.

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